Pernambucanos são os clubes que mais devem entre os 20 da Série B. Foto: Paulo Paiva / Sport Recife
O Sport e o Náutico aparecem no topo do ranking de endividamento dos clubes da Série B do Campeonato Brasileiro. Os dados divulgados pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), responsável pela implementação do fair play financeiro no país, mostram que os dois representantes pernambucanos enfrentam desafios para equilibrar as contas.
De acordo com o levantamento, que considera os balanços financeiros do fim de 2025, o Leão lidera a lista da Segunda Divisão, com aproximadamente R$ 422 milhões em dívidas. O Timbu ocupa a segunda posição, com cerca de R$ 292 milhões. Além do passivo acumulado, os dois clubes declararam obrigações vencidas e não pagas na apuração referente a junho de 2026.
O Sport apresenta o maior endividamento entre os participantes da Segundona. No balanço contábil detalhado pela imprensa pernambucana, o clube registrou R$ 324 milhões em dívidas no encerramento de 2025. A diferença em relação aos R$ 422 milhões divulgados no ranking mais amplo está relacionada, entre outros fatores, à inclusão de aproximadamente R$ 99 milhões em receitas recebidas antecipadamente na análise do passivo.
A composição das contas também acende um alerta. Dos R$ 324 milhões registrados no balanço, R$ 184 milhões tinham vencimento previsto para até 12 meses, o equivalente a cerca de 57% do total. O clube contava com aproximadamente R$ 35 milhões em recursos de curto prazo, quantia que correspondia a apenas 19% das obrigações desse período.
Entre os compromissos financeiros do Rubro-negro estavam R$ 130 milhões em obrigações trabalhistas, impostos e parcelamentos, além de R$ 84 milhões com fornecedores. O levantamento também apontou provisões para processos judiciais, dívidas relacionadas a transferências de atletas e obrigações com partes relacionadas.
O clube está em recuperação judicial desde 2023 e possui um plano coletivo de credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Segundo os dados divulgados, o Sport declarou pendências vencidas envolvendo atletas, funcionários, outros clubes e o poder público. Parte das obrigações abrangidas pelos mecanismos de renegociação não aparece na contabilização dos atrasos do painel.
O Náutico ocupa a segunda posição no ranking da Série B, com cerca de R$ 292 milhões em dívidas. No balanço detalhado, o clube apresentava aproximadamente R$ 291 milhões em obrigações, enquanto seus bens e direitos somavam R$ 147 milhões.
A diferença entre esses valores resultava em patrimônio líquido negativo de R$ 145 milhões, considerando também as receitas antecipadas. O cenário indica que o conjunto das obrigações supera os ativos contabilizados pelo Alvirrubro.
Diferentemente do Sport, o Timbu concentra a maior parte do passivo no longo prazo. Cerca de R$ 260 milhões tinham vencimento posterior a 12 meses, enquanto R$ 30 milhões correspondiam a compromissos de curto prazo. Para cobrir essas obrigações imediatas, o clube dispunha de aproximadamente R$ 3,5 milhões em recursos de curto prazo.
As provisões para processos judiciais representavam cerca de R$ 260 milhões, aproximadamente 90% da dívida registrada no balanço. Também havia obrigações trabalhistas, impostos, empréstimos, débitos com fornecedores e compromissos relacionados a transferências de jogadores.
Assim como o rival, o Náutico está em recuperação judicial desde 2023 e mantém um plano coletivo de credores na CNRD. O clube também declarou pendências vencidas com atletas, funcionários, outros clubes e o poder público.
O painel da Anresf reúne informações sobre o endividamento total e os pagamentos em atraso dos clubes das duas principais divisões nacionais. Os dados são diferentes: a dívida total inclui compromissos que ainda não venceram, enquanto os atrasos correspondem a obrigações não pagas na data de referência.
A agência também estabeleceu um período de transição para débitos anteriores a 2026. A partir do fim de novembro, essas obrigações passam a estar sujeitas à aplicação das regras previstas no regulamento. Para os clubes pernambucanos, a regularização das pendências será um dos pontos importantes no acompanhamento da situação financeira.
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