Mais de um ano após a assinatura, o projeto da SAF enfrentou saídas de investidores como Marcio Cadar e Vinícius Diniz, a ruptura com Thiago Galhardo e problemas no Arruda.
SAF do Santa Cruz continua cheia de incertezas e saídas. Fotos: Divulgação / Santa Cruz
O Santa Cruz ainda vive a expectativa da implementação completa da Sociedade Anônima de Futebol no clube, a previsão é que tudo seja definido em abril. Porém, toda essa expectativa já dura mais de um ano, quando foi assinada a proposta vinculante da SAF, em janeiro de 2025
Em meio a dificuldades financeiras, dívidas acumuladas e instabilidade esportiva, o clube apresentou o modelo de Sociedade Anônima do Futebol como caminho para reorganização administrativa e retomada do protagonismo. E esse momento é um dos mais esperados pela sua apaixonada torcida.
De lá para cá, no entanto, o processo passou por mudanças de rota, saídas de investidores, ruídos internos e episódios que aumentaram a pressão sobre a diretoria e o Conselho Deliberativo.
Quando a proposta vinculante foi assinada, em janeiro de 2025, o discurso era de reconstrução estruturada. O grupo investidor prometia aporte financeiro, profissionalização da gestão e planejamento esportivo de médio e longo prazo. A expectativa incluía reestruturação de dívidas, modernização de processos internos e fortalecimento do futebol profissional.
Para boa parte da torcida, a SAF representava a possibilidade real de sair do ciclo de crises administrativas que marcaram os últimos anos da Cobra Coral. Inclusive, do lado de fora do Arruda, a multidão tricolor comemorava a assinatura da proposta com músicas, fogos e muita alegria.
Um dos primeiros abalos públicos no projeto foi a saída de Marcio Cadar do grupo investidor. O afastamento ocorreu em meio a divergências internas e levantou questionamentos sobre a solidez do consórcio responsável pela SAF.
Nos bastidores, a mudança foi vista como um sinal de reacomodação societária, mas para parte da torcida soou como alerta sobre possíveis fragilidades no projeto que ainda estava em fase inicial de estruturação. No entanto, segundo Bruno Rodrigues, presidente do Santa Cruz, a saída já estava alinhada e não iria atrapalhar o projeto, tendo em vista que foi acordado entre todos os envolvidos.
Pouco tempo depois, Vinícius Diniz também deixou a composição ligada ao projeto da SAF. A nova baixa reforçou o clima de incerteza e alimentou debates sobre a reorganização do bloco investidor.
A saída de dois nomes ligados à proposta original exigiu reconfiguração interna e novas explicações por parte dos responsáveis pela implementação da SAF, que passaram a enfatizar a continuidade do projeto mesmo com mudanças na formação societária.
Apesar das dúvidas da torcida sobre o projeto da SAF, o sucesso dentro de campo sanou alguns questionamentos. Ainda mais após conquistar o acesso para a terceira divisão do futebol brasileiro.
Isso deu um gás para o Tricolor do Arruda, que deu mais um voto de esperança, já que, por mais que alguns percalços aconteçam no meio do caminho, o importante é que o objetivos desportivos estavam acontecendo. Porém, em dezembro, uma bomba estourou.
No campo esportivo, um dos episódios mais comentados foi a saída conturbada do atacante Thiago Galhardo. Contratado dentro do contexto de reformulação e com status de nome importante para o novo momento do clube, o jogador deixou o Santa Cruz em meio a desgaste interno e divergências com a condução do projeto.
Após a saída, Galhardo fez críticas públicas ao modelo em implantação e à condução da gestão. Em entrevistas, afirmou que “muita coisa foi prometida e não foi cumprida” e que “faltou clareza sobre o projeto esportivo”. O atacante também direcionou críticas ao presidente Iran Costa, ao dizer que “o discurso era um, mas na prática o cenário era outro” e que esperava “mais organização e transparência no processo”.
Um dos mais graves comentários do antigo camisa 9 da Cobra Coral foi direcionado ao presidente Bruno Rodrigues, onde o jogador comentou que o presidente era um "bobo da corte".
Porém, no momento, entre os torcedores, as críticas foram todas direcionadas ao atacante e pela forma que ele saiu do clube.
Paralelamente às questões societárias e esportivas o estádio do Arruda voltou ao centro das discussões. Problemas estruturais, necessidade de adequações e dificuldades relacionadas a laudos e manutenção reacenderam o debate sobre a urgência de investimentos na casa tricolor.
A situação do estádio passou a ser vista como um dos principais desafios da futura SAF, tanto do ponto de vista financeiro quanto simbólico, já que o Arruda representa um dos maiores patrimônios do clube.
Tanto em 2025, quanto em 2026, o estádio foi descartado, por não ter condições de receber os tricolores. No Campeonato Pernambucano, já foram dois jogos dentro do Mundão do Arruda, que permaneceu vazio.
Em meio às turbulências, o investidor Iran Barbosa afirmou em entrevista ao GE que a implementação completa da SAF deve ocorrer até abril. Segundo ele, o cronograma segue em andamento e a transição definitiva para o modelo empresarial está na fase final de ajustes jurídicos e administrativos.
Outro ponto central dentro do processo da SAF do Santa Cruz Futebol Clube é a recuperação judicial. O clube ingressou com o pedido como parte da estratégia para reorganizar suas dívidas e criar um ambiente mais seguro para a transição ao modelo empresarial.
A recuperação judicial passou a ser tratada como pilar estrutural do projeto da SAF, já que o passivo acumulado ao longo dos anos é um dos principais entraves para a estabilidade financeira. A medida permite a suspensão de execuções e a construção de um plano de pagamento aos credores, dentro de regras estabelecidas pela Justiça.
Nos bastidores, integrantes ligados ao projeto defendem que a consolidação da SAF está diretamente conectada ao avanço da recuperação judicial. A avaliação é de que não há reestruturação esportiva consistente sem reorganização financeira sólida.
Hoje, a SAF do Santa Cruz se encontra em uma etapa decisiva. Após a assinatura da proposta vinculante, o projeto passou por reconfigurações, enfrentou desgaste público e viu nomes deixarem o caminho. Ao mesmo tempo, a promessa de profissionalização e reestruturação financeira segue como principal argumento da diretoria.
O mês de abril aparece como marco simbólico para o clube. Caso a implementação total seja confirmada, o Santa Cruz inicia oficialmente uma nova fase administrativa. Se houver novos atrasos ou mudanças, a pressão interna e externa tende a aumentar.
A retrospectiva mostra que o caminho até aqui foi marcado por expectativa, ajustes e tensão. O próximo capítulo depende da consolidação prática da SAF e da capacidade de transformar discurso em resultado, tanto fora quanto dentro de campo.
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