Manchester City é culpado de 114 das 115 acusações. Foto: Parkin/Manchester City FC
O Manchester City foi considerado culpado em 114 das 115 acusações apresentadas pela Premier League por supostas violações das regras financeiras da competição. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 25 de setembro, por veículos da imprensa britânica, entre eles The Athletic e The Times, e repercutida internacionalmente.
A Premier League ainda não havia publicado um comunicado oficial sobre a decisão até a publicação das primeiras informações. O julgamento foi conduzido por uma comissão independente, e o Manchester City deve recorrer do resultado. Além disso, a eventual punição ainda não foi definida.
O caso é considerado um dos processos mais complexos da história do futebol inglês. As acusações foram apresentadas oficialmente em fevereiro de 2023, mas dizem respeito a um período muito anterior: entre as temporadas 2009/10 e 2017/18.
Para entender o tamanho do problema, é importante separar três coisas: as acusações feitas pela Premier League, a decisão da comissão independente e a punição, que ainda será determinada.
A Premier League acusou o Manchester City de violar regras relacionadas principalmente à apresentação de informações financeiras corretas e completas.
Segundo as acusações, o clube teria fornecido informações financeiras consideradas imprecisas durante nove temporadas. Entre os pontos investigados estavam receitas, contratos comerciais, pagamentos a jogadores e remunerações relacionadas ao treinador Roberto Mancini.
Também havia acusações relacionadas ao cumprimento das regras financeiras da Uefa e, em outra frente, à suposta falta de colaboração do clube durante a investigação da própria Premier League.
O conjunto de acusações chegou a 115 itens no processo apresentado pela liga. A comissão independente agora teria considerado 114 deles procedentes e apenas um não comprovado.
Um dos pontos mais conhecidos do processo envolve Roberto Mancini, treinador do Manchester City entre 2009 e 2013.
A Premier League acusou o clube de não ter informado integralmente a remuneração recebida pelo técnico. A suspeita era de que existisse uma estrutura contratual que fazia com que Mancini recebesse valores superiores aos oficialmente registrados pelo clube.
Esse é apenas um dos grupos de acusações. O processo também analisou pagamentos e informações relacionadas aos jogadores em diferentes temporadas.
Esse é um dos pontos centrais do processo.
Clubes da Premier League precisam apresentar informações financeiras à liga dentro das regras estabelecidas pela competição. Esses dados servem, entre outras coisas, para que a organização possa verificar se as equipes estão respeitando os limites financeiros determinados pelo regulamento.
No caso do Manchester City, a Premier League alegou que o clube não apresentou informações completas ou corretas em determinados períodos entre 2009 e 2018.
As acusações, portanto, não se resumem simplesmente à ideia de que o clube “gastou demais”. O questionamento envolve a forma como determinadas receitas, pagamentos e contratos teriam sido registrados e apresentados aos órgãos responsáveis.
Outro ponto importante envolve acordos comerciais relacionados ao clube e a empresas associadas aos seus proprietários.
As regras da Premier League procuram impedir que uma equipe obtenha vantagem financeira artificial por meio de negócios com partes relacionadas. A preocupação é que um contrato comercial seja registrado por um valor acima do que seria considerado compatível com o mercado e, dessa maneira, aumente artificialmente a receita do clube.
Esse tipo de regra ganhou ainda mais importância com as normas de Associated Party Transactions, conhecidas pela sigla APT.
Em 2024, um tribunal arbitral analisou justamente uma disputa entre Manchester City e Premier League envolvendo essas regras. Na ocasião, o tribunal considerou válidos os objetivos gerais do sistema, embora tenha apontado alguns pontos específicos que precisavam ser ajustados. Esse processo, porém, é diferente do julgamento das 115 acusações.
A investigação ganhou força depois de documentos internos do Manchester City aparecerem em reportagens publicadas pelo Der Spiegel, em 2018.
Os documentos faziam parte do material associado ao Football Leaks e levantaram questionamentos sobre contratos e informações financeiras do clube.
A Premier League passou a investigar o caso e, em fevereiro de 2023, apresentou formalmente as acusações contra o Manchester City.
Naquele momento, o clube rejeitou as acusações e afirmou que estava preparado para apresentar um conjunto abrangente de evidências para defender sua posição.
Desde então, o Manchester City mantém a contestação das acusações.
As possíveis sanções podem variar de acordo com a gravidade e a natureza das violações consideradas comprovadas.
Entre as punições que podem entrar em discussão estão multa, perda de pontos e outras medidas esportivas previstas no regulamento da Premier League. Em cenários mais severos, também existe a possibilidade de sanções que afetem a permanência do clube na competição.
É importante, porém, não tratar nenhuma dessas punições como já definida.
Até o momento das primeiras informações sobre o veredito, a sanção não havia sido anunciada oficialmente. Portanto, não é possível afirmar que o Manchester City perderá pontos, títulos ou será rebaixado.
Também existe a possibilidade de recurso por parte do clube, o que pode prolongar ainda mais o processo.
O período analisado pela Premier League inclui temporadas nas quais o Manchester City conquistou títulos nacionais. Por isso, uma eventual punição esportiva poderia gerar discussões sobre consequências retroativas.
No entanto, não há neste momento uma decisão oficial determinando a retirada de qualquer campeonato conquistado pelo clube.
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