Laércio Guerra, presidente do Retrô. Foto: Divulgação / Redes sociais
Um episódio grave de ofensas racistas no futebol de base ganhou repercussão nesta terça-feira, 10 de fevereiro, após a notícia de que um ex-atleta da base entrou com uma queixa-crime na Justiça contra o presidente do Retrô Futebol Clube Brasil, Laércio Guerra, acusando-o de proferir expressões racistas durante um campeonato juvenil no Centro de Treinamento do clube, em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, em 2021.
Segundo os autos da ação recebida pela Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Camaragibe, a denúncia aponta que o dirigente teria dirigido palavras como “cala a boca, macaco” e “negrinho de merda” ao jogador, que na época dos fatos era menor de idade e atuava pelo Atlético Piauiense. O atleta, agora com 19 anos, é representado no processo por sua mãe, que também teria sido alvo de xingamentos discriminatórios.
A queixa-crime foi oficialmente recebida pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) no último sábado (7). No documento, a defesa do jogador relata que as ofensas ocorreram durante uma competição da categoria de base, com muitos familiares presentes no local, e que as expressões proferidas pelo dirigente teriam sido claras e ouvidas por diversas pessoas.
Procurado pelo Diario de Pernambuco, que onde a notícia foi divulgada, Laércio Guerra negou as acusações, classificando a denúncia como “absurda” e afirmando que não se recorda do episódio descrito no processo. Segundo o presidente do Retrô, não houve qualquer conduta discriminatória por parte dele e ele pretende tomar medidas legais contra o atleta e a mãe dele por difamação.
O caso reacende debates sobre a incidência de racismo no futebol brasileiro, um problema que segue sendo alvo de ações jurídicas, campanhas de conscientização e medidas punitivas tanto por entidades esportivas quanto pela Justiça. Incidentes semelhantes já levaram a clubes a adotarem protocolos de combate à discriminação, e o tema tem sido destaque em discussões sobre igualdade e respeito no esporte.
Organizações e autoridades reforçam que o enfrentamento ao racismo, dentro e fora dos gramados, é essencial para garantir um ambiente seguro e inclusivo para atletas de todas as idades e origens. Especialistas lembram que, apesar de avanços em conscientização, ainda há desafios substanciais na erradicação de comportamentos discriminatórios no futebol.
A Justiça deve agora analisar a queixa-crime e abrir caminho para a instrução do processo, que pode resultar em consequências civis e penais dependendo da comprovação dos fatos em juízo.
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