Seleção Brasileira comemorando Penta em 2002. Foto: Acervo CBF
A ausência da Seleção Brasileira em finais de Copa do Mundo desde 2002 continua sendo tema de debate entre ex-jogadores e torcedores. Para Dunga, capitão do tetracampeonato conquistado nos Estados Unidos, um dos fatores que influenciaram essa percepção foi justamente o sucesso da geração que disputou três decisões consecutivas entre 1994 e 2002.
Em entrevista ao programa Esporte Record, apresentado pelo jornalista Cleber Machado e que contou também com a participação de Cafu, o ex-volante afirmou que a sequência histórica fez parecer que alcançar uma final de Mundial era algo natural para o Brasil.
Segundo Dunga, a realidade do futebol é bem diferente, e o talento individual, por si só, não garante campanhas vitoriosas em competições tão equilibradas.

Ao recordar o período de maior protagonismo recente da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, Dunga destacou que a regularidade daquela geração acabou elevando o nível de cobrança da torcida e da imprensa.
"Nós chegamos ali em três finais de Copa seguido, então começou a parecer para o torcedor, para a imprensa, que era fácil chegar. Só que a gente não lembra que também a gente teve entressafra, lá atrás, com talentos e jogadores excepcionais, fantásticos. Vai muito além do talento, o time, a Seleção, o líder, uma equipe."
Na avaliação do ex-capitão, construir uma equipe vencedora exige fatores que ultrapassam a qualidade técnica dos atletas, como organização, liderança, comprometimento coletivo e capacidade de superar momentos difíceis.
Durante a entrevista, o ex-técnico da Seleção também ressaltou que o verdadeiro perfil de um time aparece quando os resultados deixam de ser favoráveis.
Para ele, administrar momentos de pressão é uma das principais características das equipes campeãs.
"Tu vê no momento que tá perdendo. Qual a reação dela? Qual a postura da Seleção? Quando tá ganhando é fácil, todo mundo quer ser líder, comandar. Agora, no momento de crise como o time se comporta?"
A declaração reforça a visão de Dunga de que grandes campanhas em Copas do Mundo são construídas principalmente pela força do grupo, e não apenas pela presença de jogadores talentosos.
O período citado por Dunga representa uma das fases mais vitoriosas da história da Seleção Brasileira.
Entre 1994 e 2002, o Brasil disputou três finais consecutivas de Copa do Mundo, feito que nenhuma outra seleção conseguiu repetir no futebol moderno.
A sequência começou em 1994, nos Estados Unidos. Sob o comando de Carlos Alberto Parreira, a Seleção encerrou um jejum de 24 anos sem títulos mundiais ao derrotar a Itália nos pênaltis, após empate sem gols na decisão. Dunga levantou a taça como capitão de um elenco que contava com Romário, Bebeto, Taffarel e Cafu.
Quatro anos depois, na França, o Brasil voltou à decisão. Liderada por Ronaldo, Rivaldo, Cafu e Roberto Carlos, a equipe acabou derrotada pelos anfitriões por 3 a 0, ficando com o vice-campeonato.
O ciclo foi encerrado em 2002, quando Luiz Felipe Scolari comandou a conquista do pentacampeonato na Copa disputada na Coreia do Sul e no Japão. Com Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu e Roberto Carlos em grande fase, a Seleção venceu a Alemanha por 2 a 0 na final e conquistou o quinto título mundial.
Desde a conquista de 2002, o Brasil nunca mais voltou a disputar uma decisão de Copa do Mundo.
A campanha mais marcante aconteceu em 2014, quando a Seleção alcançou a semifinal, mas sofreu a histórica derrota por 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão.
Nas demais edições, a equipe esbarrou nas fases eliminatórias. Foi eliminada nas quartas de final em 2006, diante da França; em 2010, contra a Holanda; em 2018, para a Bélgica; e em 2022, nos pênaltis, diante da Croácia. Já no Mundial de 2026, o Brasil voltou a cair antes da decisão, mantendo o jejum de participações em finais.
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