Ancelotti divulgou os 26 nomes convocados para a Copa do Mundo, na segunda, 18 de maio. Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Durante décadas, a maior dificuldade da Seleção Brasileira era deixar grandes jogadores fora da Copa do Mundo. As listas finais costumavam provocar discussões intermináveis entre torcedores e especialistas. Sempre havia um craque que merecia uma vaga, um ídolo em grande fase ou um talento que acabava ficando pelo caminho.
Em 2026, porém, o cenário parece diferente. A convocação do técnico Carlo Ancelotti gerou debates pontuais, mas sem grandes injustiças aparentes. Na prática, o Brasil viaja para o Mundial levando praticamente todos os jogadores considerados de elite que estavam disponíveis. Enquanto isso, outras potências do futebol mundial seguem convivendo com um problema que a Seleção já teve no passado: o excesso de talento.
A comparação com as listas de França e Inglaterra ajuda a entender essa mudança.
Campeã em 2018 e vice-campeã mundial em 2022, além de figurar entre as favoritas para o torneio deste ano, a França chega ao torneio comandada por Didier Deschamps com uma situação invejável.
Entre os atletas que ficaram fora da convocação está Eduardo Camavinga, volante do Real Madrid e considerado um dos jogadores mais talentosos de sua geração. A ausência foi confirmada por Deschamps, que justificou a decisão citando lesões e a necessidade de definir uma estrutura específica para o elenco.
Além de Camavinga, outros nomes de peso ficaram sem espaço, entre eles Khéphren Thuram, mostrando o tamanho da concorrência existente dentro da seleção francesa.
O mais impressionante é que muitos desses atletas seriam titulares em diversas seleções presentes na Copa do Mundo. Na França, porém, sequer encontraram espaço entre os convocados.
Se a lista francesa já chama atenção, a da Inglaterra talvez seja ainda mais impactante.
O técnico Thomas Tuchel anunciou uma convocação que deixou fora jogadores como Cole Palmer, Phil Foden e Trent Alexander-Arnold. Três jogadores ingleses admirados pelo mundo do futebol. No entanto, que não encaixaram no sistema tático do treinador alemão.
Tuchel explicou que priorizou equilíbrio, confiança e química entre os jogadores escolhidos. Em outras palavras, a Inglaterra possui tantas opções de alto nível que pode abrir mão de estrelas sem comprometer o potencial do elenco.
Isso não significa que a Seleção Brasileira esteja sem qualidade.
O país continua produzindo jogadores importantes, com nomes como Vinícius Júnior, Rodrygo, Neymar, Bruno Guimarães e Marquinhos. O ponto é outro: a profundidade do elenco já não parece a mesma das gerações anteriores.
Em outros tempos, o Brasil deixava jogadores de altíssimo nível fora das Copas. Havia disputas gigantes por vagas em, praticamente, todas as posições, até mesmo no gol.
O Brasil chega ao Mundial como cabeça de chave do Grupo C, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia.
A França lidera o Grupo I e terá pela frente Senegal, Iraque e Noruega.
Já a Inglaterra está no Grupo L ao lado de Croácia, Gana e Panamá.
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