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Axel quádruplo: entenda porque o salto é considerado o mais difícil da patinação artística

Considerado o salto mais difícil da modalidade, ele nunca foi completado em Jogos Olímpicos de Inverno.

Cami Cardoso

10 de fevereiro de 2026 às 17:08   - Atualizado às 17:39

Axel quádruplo: entenda porque o salto é considerado o mais difícil da patinação artística

Axel quádruplo: entenda porque o salto é considerado o mais difícil da patinação artística Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma enorme expectativa cerca a patinação artística em Milano Cortina 2026. E ela tem nome e sobrenome: axel quádruplo. Considerado o salto mais difícil da modalidade, ele nunca foi completado em Jogos Olímpicos de Inverno. No entanto, se há alguém capaz de providenciar esse movimento inédito no palco Olímpico é Ilia Malinin, apelidado de “Deus dos Quádruplos”.

Esta é a primeira participação de Malinin em Jogos Olímpicos de Inverno. O americano de 21 anos chegou a Milano Cortina 2026 com um currículo excepcional, que o alça como principal candidato à medalha de ouro no individual masculino: ele é o atual bicampeão mundial, em Montreal 2024 e Boston 2025. Também levou o bronze em Saitama 2023.

O domínio recente de Malinin na patinação artística reflete a enorme capacidade técnica e atlética do americano. Ele consegue completar saltos que outros oponentes consagrados nunca executaram. O nível de dificuldade de seu programa eleva logo de cara sua nota de partida nas competições, como o que acontece com Simone Biles na ginástica artística.

A lista de feitos inéditos de Malinin inclui a primeira vez que um patinador realizou sete saltos quádruplos no mesmo programa longo de uma competição oficial. E também o primeiro atleta a concluir com êxito o axel quádruplo em competições, ainda em setembro de 2022, algo que garantiu ares míticos antes mesmo de Milano Cortina 2026.

Continue a leitura abaixo e entenda no que consiste o axel quádruplo. Também saiba mais sobre a evolução do salto até chegar à inovação de Ilia Malinin.

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O que é o axel quádruplo?

O chamado "axel" possui uma particularidade em relação aos demais saltos da patinação artística. Ele é o único em que o patinador se projeta para frente, e não para trás, como no Flip, no Lutz e em outros movimentos comuns na modalidade.

A decolagem no axel começa com a borda externa dianteira da lâmina dos patins. No início do movimento, há uma espécie de ‘chute’ da perna livre, para as rotações. Já a aterrissagem é com a borda externa traseira da lâmina, mas a do pé oposto.

O “quádruplo” no nome composto do axel se refere à quantidade de rotações no ar dadas pelo patinador. Atualmente, o mais comum entre os principais atletas do circuito é o axel triplo, com três rotações. Uma particularidade do axel é que, por ser um salto frontal e com aterrissagem de costas, exige uma rotação parcial que amplia seu nível de dificuldade.

O axel aparece como elemento obrigatório nos dois programas da patinação artística. No programa curto, é um elemento isolado, duplo ou triplo, sem necessitar de combinações. Já no programa longo, ele deve ser pelo menos um dos sete saltos a serem executados.

Axel Paulsen, o inventor do salto, e as lendas que o levaram além

Assim como parte dos saltos básicos da patinação artística, o “axel” foi batizado em homenagem ao seu criador: o norueguês Axel Paulsen (1855-1938), referência nos primórdios dos esportes de inverno e promotor de modernizações técnicas. Durante os anos 1880, ele conquistou títulos internacionais na patinação artística e também de velocidade.

Por seu pioneirismo e pelas contribuições, Paulsen foi eleito em 1976 à primeira turma do Hall da Fama Mundial da Patinação Artística. Já a primeira mulher a completar o axel, nos anos 1920, foi outra norueguesa: a lendária Sonja Henie, primeira grande estrela da modalidade, dona de três ouros Olímpicos individuais entre 1928 e 1936.

Ainda que seja considerado o salto mais antigo da patinação artística, isso não tira o nível de dificuldade do axel. Outros saltos ganharam rotações múltiplas antes dele. O primeiro axel duplo é creditado ao americano Dick Button, durante os Jogos Olímpicos de Inverno St. Moritz 1948. Posteriormente graduado em Direito em Harvard, ele ajudou a estabelecer um patamar atlético mais elevado na patinação artística.

Aos 18 anos, Button liderava a competição masculina quando executou o axel duplo. Sem confiança total em seu movimento, ele tinha receio de que o salto botasse em xeque sua posição. Mesmo assim, resolveu arriscar. Button ganhou o ouro com o inédito axel duplo em St. Moritz 1948 e repetiu a conquista em Oslo 1952, quando executou um loop triplo, também a primeira vez que um salto com três rotações foi realizado.

Sobre seu inédito axel duplo em St. Moritz 1948, Button escreveu em sua autobiografia: “Não gostava de me sentir tão despreparado. Mas a covardia de recuar por causa da pressão dos Jogos Olímpicos me causava repulsa e, assim que tomei a decisão, não podia desviar os passos que culminaram no axel duplo”.

Executado pela primeira vez em competições na década de 1970, pelo canadense Vern Taylor, o inédito axel triplo em Jogos Olímpicos foi primazia do também canadense Brian Orser, quando ganhou a prata em Sarajevo 1984. Entre as mulheres, a pioneira no axel duplo foi a americana Carol Heiss, prata em Cortina d’Ampezzo 1956 e ouro em Squaw Valley 1960. Já o axel triplo seria introduzido entre as mulheres pela japonesa Ito Midori, prata em Albertville 1992, que o completou pela primeira vez em 1988.

Hanyu Yuzuru e sua tentativa do axel quádruplo em Beijing 2022

Os primeiros saltos quádruplos ocorreram quase ao mesmo tempo que o axel triplo. Após as primeiras tentativas em Sarajevo 1984, o tetracampeão mundial Kurt Browning ratificou em 1988 o primeiro quádruplo em competições oficiais. Em Jogos Olímpicos, o tcheco Petr Barna é creditado pelo feito durante o bronze em Albertville 1992. Entre as mulheres, Surya Bonaly fez as primeiras tentativas em Albertville 1992, mas o primeiro quádruplo Olímpico foi realizado em Beijing 2022, pela medalhista de prata Aleksandra Trusova.

Já a fronteira do axel quádruplo começou a ser explorada pelo célebre Hanyu Yuzuru, ouro em Sochi 2014 e Pyeongchang 2018. O japonês já tinha se tornado o primeiro a completar um loop quádruplo na patinação artística, assim como foi o pioneiro em concluir um quádruplo combinado com um triplo – no caso, um axel triplo.

Faltou a Hanyu apenas o passo além no axel quádruplo, mas bem que ele tentou. O bicampeão Olímpico arriscou o movimento inédito na última temporada de sua carreira. Durante o campeonato nacional, a aterrissagem com os dois pés fez o salto ser rebaixado como axel triplo. Já em Beijing 2022, Hanyu fez a primeira tentativa da história em Jogos Olímpicos. Sofreu a queda, embora tenha sido sua execução mais próxima do acerto.

"Eu honestamente dei tudo de mim. Não tenho mais nada para dar. Estive na melhor forma desde o início e girei o axel o melhor que pude. Fui com tudo por isso, é algo que guardarei para sempre", declarou Hanyu, ao Olympics.com, após o quarto lugar no individual masculino. "Tenho vontade de fazer o axel quádruplo desde que sou criança. Meu mentor e técnico me incentivou dizendo que um dia eu conseguiria. Desde então, trabalhei para isso."

O pioneirismo de Ilia Malinin já antes de Milano Cortina 2026

A despedida de Hanyu Yuzuru deixou um vácuo no trono da patinação artística. Meses depois, Ilia Malinin ascendeu como possível herdeiro em elevar os limites da modalidade – embora com um perfil atlético diferente em suas apresentações.

Malinin é filho de Tatiana Malinina e Roman Skorniakov, que representaram o Uzbequistão na patinação artística de Nagano 1998 e Salt Lake City 2002, antes de se tornarem treinadores nos Estados Unidos. Durante a infância, o americano também praticou a ginástica artística, o que aprimorou suas habilidades acrobáticas.

A ascensão de Malinin começou exatamente em 2022. Meses depois dos Jogos Olímpicos, em setembro daquele ano, o americano executou pela primeira vez com sucesso o axel quádruplo em uma competição oficial. Desde então, ninguém conseguiu repeti-lo.

O axel quádruplo é um trunfo de Malinin, que o ajudou na sua consolidação como bicampeão mundial. Entretanto, o americano também vai além. Ele se tornou o primeiro patinador a concluir os seis saltos quádruplos da modalidade em uma mesma competição, em dezembro de 2023.

Milano Cortina 2026, então, confere a oportunidade de Malinin estabelecer os novos marcos da patinação artística nos Jogos Olímpicos de Inverno. Durante o evento por equipes, o “Deus dos Quádruplos” apresentou o axel triplo no programa curto e no programa longo, mas ainda não o axel quádruplo.

"Estou bastante feliz com o que eu apresentei, porque foi apenas 50% do meu potencial máximo. No geral, estou muito orgulhoso de tudo o que fiz até agora", comentou Malinin, após sua apresentação no programa curto. Perguntado ainda se sentiu pressão pela estreia em Jogos Olímpicos, ele respondeu: "O que você esperava? É o gelo Olímpico! Tenho certeza de que muita gente sentiria o mesmo."

A ausência do axel quádruplo não impediu Malinin de sublinhar seu talento em suas primeiras apresentações nos Jogos Olímpicos. Durante o evento por equipes, ele executou duas vezes o backflip, movimento proibido durante 50 anos. No programa longo, ele ainda realizou cinco saltos quádruplos – dois Lutz, um Toeloop, um Salchow e um Flip. Foi decisivo para o ouro dos Estados Unidos.

O individual masculino, de qualquer maneira, é o evento no qual grande parte dos holofotes se voltam a Malinin e à sua disputa principal com o japonês Kagiyama Yuma. O momento em que o axel quádruplo pode se tornar o diferencial para o alto do pódio.

Da redação do Portal de Prefeitura com informações Olympics

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