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Três Graças: Crô e Téo Pereira voltam às telinhas e movimentam a reta final da novela

O mordomo extravagante surge na novela como participação especial, mantendo as características que o tornaram popular: humor afiado.

Cami Cardoso

20 de janeiro de 2026 às 18:39   - Atualizado às 18:51

Três Graças: Crô e Téo Pereira voltam às telinhas e movimentam a reta final da novela

Três Graças: Crô e Téo Pereira voltam às telinhas e movimentam a reta final da novela Foto: Reprodução

 Depois de trazer de volta às telinhas nomes como Miguel Falabella, Eduardo Moscovis, Carla Marins, Paulo César Grande, Júlio Rocha e Fernanda Vasconcellos, Três Graças prepara mais uma entrada de peso, Marcelo Serrado, volta a interpretar Crô, personagem que marcou época em Fina Estampa.

Crô reaparece em Três Graças e marca retorno de Marcelo Serrado

O mordomo extravagante surge na novela como participação especial, mantendo as características que o tornaram popular: humor afiado, comentários irônicos e presença expansiva.

Em Três Graças, Crô aparece ligado ao núcleo de Josefa (Arlete Salles) e se envolve em situações que colocam Arminda (Grazi Massafera) no centro de embates verbais e jogos de poder. A passagem do personagem será breve, mas pensada para provocar impacto imediato na narrativa.

A primeira aparição está prevista para o capítulo 88, que vai ao ar em 29 de janeiro. A estratégia é clara, usar um personagem já consagrado para acelerar conflitos, criar ruído dramático e ativar a memória afetiva do público.

Téo Pereira entra em cena e pressiona vilão central

Depois da participação de Crô, a novela prepara mais um crossover emblemático: a chegada de Téo Pereira, vivido por Paulo Betti na novela Império.

O jornalista aparece em Três Graças de forma orgânica, integrado ao núcleo central da história. Téo surge investigando Ferette (Murilo Benício), o empresário mais poderoso da trama. Em cenas previstas para ir ao ar na semana do carnaval, ele se encontra com Zendilda (Andréia Horta), que confirma a traição do marido com Arminda, informação capaz de implodir a imagem pública do vilão.

Fiel ao seu perfil ácido e vaidoso, Téo se prepara para publicar a denúncia, o que deixa Ferette em pânico. Avisado por Xênica (Carla Marins) de que há "uma pessoa importante" à sua espera, o empresário tenta se livrar do jornalista, chega a oferecer dinheiro para comprar seu silêncio, mas é confrontado com uma recusa categórica. A tensão cresce quando Ferette encerra a entrevista de forma abrupta e expulsa o repórter de seu escritório.

Nos bastidores, Macedo (Rodrigo García) chega a sugerir medidas extremas para silenciar o jornalista, mas Ferette recua, temendo que Zenilda use a situação para virar o jogo contra ele. A entrada de Téo Pereira funciona, assim, como catalisador de uma crise política e moral dentro da novela.

Aguinaldo Silva transforma nostalgia em motor narrativo

Autor da trama, Aguinaldo Silva tem apostado na nostalgia como eixo criativo de Três Graças. A ideia não se limita à escalação de atores veteranos ou à volta de personagens icônicos, mas se estende à própria linguagem da novela, com cenas que dialogam diretamente com momentos clássicos da teledramaturgia da Globo.

Um dos exemplos mais comentados ocorreu no capítulo de 22 de dezembro, quando Gerluce (Sophie Charlotte) aparece comendo pão e se assusta ao ver Lígia (Dira Paes) levar a mão em direção ao seu rosto.

A sequência funciona como uma referência direta ao meme de Ti Ti Ti, em que Sophie Charlotte levou um tapa ao contracenar com Elizângela (1954-2023). A cena viralizou nas redes e reforçou a percepção de que Três Graças opera também como um jogo de reconhecimento para o público mais atento.

Estratégia de engajamento

Ao apostar na circulação de personagens entre diferentes universos narrativos, Três Graças recorre a uma estratégia com raízes históricas na telenovela brasileira. Segundo o consultor e doutor em Teledramaturgia Mauro Alencar, esse tipo de migração entre personagens "gera engajamento, burburinho na mídia" efeito que hoje ganha novos contornos com as redes sociais, mas que não é exatamente novo.

Como lembra o pesquisador, a primeira novela a explorar esse recurso foi a revolucionária Beto Rockfeller, marco da modernização da linguagem televisiva no Brasil.

A estratégia se soma a decisões pensadas para ampliar a repercussão como escalar Belo e Viviane Araújo na mesma novela e ao resgate de atores fundamentais para o gênero.

Para Mauro Alencar, a união entre veteranos e nomes mais jovens segue sendo um dos principais trunfos da indústria do entretenimento e um caminho para recuperar o prestígio da telenovela, abalado nos últimos anos.

Estadão Conteúdo.

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