Escuta é promovida pelo IPHAN e pela Fundarpe e reunirá músicos e outros trabalhadores da cultura em Belo Jardim para debater diretrizes de preservação do Choro para todo o país.
06 de novembro de 2026 às 16:19 - Atualizado às 16:28
Foto: Silla Cadengue/ Fundarpe
Na próxima terça-feira (10), músicos, pesquisadores, produtores e demais trabalhadores envolvidos na cultura do Choro têm um encontro marcado na cidade de Belo Jardim, no agreste pernambucano: eles discutirão diretrizes e demandas para a criação do Plano da Salvaguarda do Choro no Brasil.
Expressão musical surgida no século 19, o Choro (também chamado de Chorinho) nasceu no Rio de Janeiro, mas hoje está presente em todo o País, e cada estado vive e pratica essa arte com modos de execução e repertórios ligados a seus contextos locais. Por isso, o Governo Federal, em parceria com o Governo de Pernambuco, realiza a escuta dos artistas e demais trabalhadores envolvidos com o Choro no Estado, a fim de levantar demandas e discutir soluções com o objetivo de criar o Plano de Salvaguarda. O encontro ocorre no miniauditório do IFPE de Belo Jardim, a partir das 19h30, com entrada livre.
No Estado, todo o processo de escuta e mobilização para a composição do Plano é capitaneado pelo IPHAN, em parceria com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). O Plano de Salvaguarda é uma reunião de diretrizes para a comunidade detentora desse bem imaterial – músicos, produtores, compositores, pesquisadores e outros trabalhadores, que se chamam entre si de “chorões” e “choronas” – e para o poder público. Não se trata de uma lei ou algo que dispensa divergências, mas sim um Plano construído coletivamente para dar visibilidade e garantir a transmissão desse patrimônio imaterial para as próximas gerações.
O Choro foi reconhecido pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil em 2024. Como informa o próprio órgão, essa expressão musical é resultado da “confluência entre gêneros europeus (como polcas e valsas), africanos (como o lundu) e brasileiros (como a modinha), reelaborados por músicos populares em contextos urbanos marcados por intensas trocas culturais atlânticas”.
Pernambuco está inscrito na história do Choro: um dos grandes nomes dessa expressão musical, João Pernambuco (1883-1947), nasceu na cidade de Jatobá, no Sertão do Estado. Por aqui, entre nomes experientes e mais recentes, o Choro segue sendo vivido e transmitido às novas gerações por artistas e grupos como Bozó Sete Cordas, Betto do Bandolim, Walmir Chagas, José Arimatéa e seu Regional, Conjunto Sapucaia e o Gingadinho Trio.
“Há muitos chorões e choronas no Agreste e no Sertão de Pernambuco. Com a realização da escuta na cidade de Belo Jardim, pretende-se ampliar ainda mais a representatividade dos chorões e choronas nas escutas do Estado, para além da capital. Com isso, queremos garantir a legitimidade do processo de elaboração do Plano de Salvaguarda do Choro, agregando a participação e a contribuição ampla dos detentores e fazendo com que todos os atributos e regionalidades do Choro estejam contidos na versão final desse documento, que será posteriormente publicado em âmbito nacional”, explica Lívia Moraes, historiadora do IPHAN-PE.
O Plano de Salvaguarda dessa expressão será composto por contribuições colhidas pelo IPHAN com chorões e choronas de todo o Brasil, pois o documento terá caráter nacional – ou seja, tudo que vier a constar nele terá validade para todo o país, diferentemente, por exemplo, do Plano de Salvaguarda da Capoeira, em que há um documento para cada Estado da nação por conta das especificidades desse bem imaterial (distribuição geográfica particularmente capilarizada e características históricas complexas).
“Este é um momento fundamental para o Choro. Um bem cultural, quando registrado, tem a Salvaguarda como um dos princípios estruturantes do processo, pois ela visa promover, valorizar e preservar as manifestações culturais. Um Plano de Salvaguarda engloba um conjunto de diretrizes, objetivos e ações. O Choro, portanto, já deu início a essa importante etapa que contribui para a estruturação de políticas públicas de cultura voltadas para essa tradição cultural; aproxima a comunidade detentora e os órgãos de preservação, fortalecendo a gestão compartilhada; e, possibilita a continuidade do Choro para futuras gerações”, declara a Superintendente de Patrimônio Imaterial da Fundarpe, Jacira França.
As discussões do encontro desta terça-feira serão em torno de 4 eixos: Produção, Memória, Educação e Organização Coletiva. Para cada um deles, serão debatidas as demandas e possíveis soluções para elas, além de questões como fiscalização das iniciativas. Também serão conversadas questões como a valorização das diversidades de gênero e racialidade no Choro, além do protagonismo feminino e de sua valorização como patrimônio afro-brasileiro; e a busca por equidade regional na aplicação de recursos de fomento.
2
17:38, 06 Nov
29
°c
Fonte: OpenWeather
Festival gratuito acontece de 11 a 14 de novembro, no Bairro do Recife, com programação que inclui rock, samba, hip-hop e música independente.
Manifestação tradicional da cultura pernambucana integra programação gratuita no Eixão do Lazer, em Brasília, neste domingo (8); edição anterior teve a literatura de cordel como destaque.
A agremiação pretende valorizar a essência sertaneja, representada pela história, pela música, pelas tradições e pelos costumes de quem vive no interior nordestino.
mais notícias
+