A obra reflete sobre a dificuldade de se conectar com a própria essência e sobre os desafios de assumir o controle da própria narrativa.
28 de julho de 2026 às 14:21 - Atualizado às 16:28
Mateus Solano estreia seu primeiro monólogo "O Figurante" em Recife Foto: Divulgação
Após ser apresentada em 50 cidades no Brasil e em Portugal para um público superior a 200 mil pessoas, a comédia dramática “O Figurante” traz Mateus Solano em seu primeiro monólogo, no papel de um figurante que passa a questionar seu lugar em um mundo que parece mantê-lo em segundo plano.
O espetáculo chega ao Recife para três sessões no Teatro Luiz Mendonça, Parque Dona Lindu, dias 31 de julho, 1º e 2 de agosto. Os ingressos já estão à venda a partir de R$ 80.

A direção é de Miguel Thiré, que volta a colaborar com Mateus Solano após o sucesso de “Selfie” — espetáculo que lotou teatros de 2014 a 2018 —, em uma parceria inédita na dramaturgia com Isabel Teixeira. A trama mergulha na rotina de Augusto, que luta para encontrar a si em meio a uma rotina pobre de sentido, que o mantém num lugar muito aquém da sua potência como ser humano.
“O Figurante” reflete sobre a dificuldade de se conectar com a própria essência e sobre os desafios de assumir o controle da própria narrativa.
“Somos um animal que cria histórias para viver e um mundo para acreditar. Na ânsia em fazer parte desse mundo, acabamos por nos afastar de nós mesmos a ponto de não saber se somos protagonistas ou figurantes de nossa própria história”, comenta Mateus Solano.
A dramaturgia foi construída a partir do método Escrita na Cena, desenvolvido por Isabel Teixeira, que estimulou o ator a explorar sua criatividade por meio de improvisos. As cenas criadas por Mateus foram gravadas, transcritas e reelaboradas por Isabel para compor o texto final, preservando a autenticidade das reflexões do personagem.
“Atores e atrizes escrevem no ar da cena, onde vírgula é respiração, e texto é palavra dita e depois encarnada no papel. Essa é a tinta de base usada para escrever ‘O Figurante’. Partimos de improvisos de Mateus Solano e posteriormente mergulhamos no árduo e delicioso trabalho de composição e estruturação dramatúrgica. ‘O Figurante’ coloca no centro o que normalmente é deixado de lado, ampliando o olhar para o que muitas vezes passa despercebido”, explica Isabel Teixeira.
A peça dá continuidade à pesquisa de linguagem desenvolvida há anos por Miguel Thiré e Mateus Solano: uma encenação essencial, que se vale basicamente do corpo e da voz como balizas do jogo cênico. No palco nu, Mateus dá vida ao Figurante e demais personagens, através do trabalho mímico.
Thiré diz que, neste quinto trabalho ao lado de Solano, em vez de dividirem o palco, ele passa para o lugar de ‘espectador profissional’, que é a direção.
“Sempre acreditei em um teatro que debate direto com a sociedade, que toca o público. O que queremos dizer? Como vamos dizer? Acompanho o trabalho desse brilhante ator que dá vida a um outro ator (o personagem) que, por sua vez, não consegue brilhar. O trabalho é fazer este personagem quase desaparecer, estar fora de foco, ser parte do cenário”, afirma.
O Figurante, com Mateus Solano
Ingressos:
1
3
4
00:31, 18 Ago
24
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