"Hoje existe uma abertura maior, mas isso não é garantido. Já houve censura e isso pode voltar a acontecer", diz Felipe Sholl.
08 de abril de 2026 às 13:30 - Atualizado às 13:35
Filme Ruas da Gloria está em cartaz no cinema da Fundação, no Recife. Foto: Divulgação
Para o diretor do filme Ruas da Glória, Felipe Sholl, o período do governo Jair Bolsonaro teve impacto direto — ainda que subjetivo — na forma como pessoas gays lidaram com a própria autoaceitação entre 2019 e 2022. A declaração foi dada em entrevista à revista O Grito!.
Já em cartaz no Recife, o drama romântico LGBTQIAPN+ acompanha a trajetória de Gabriel, um professor de literatura que abandona a cidade após a morte da avó e segue para o Rio de Janeiro carregando não apenas a mala, mas também as cinzas dela, que insiste em manter por perto. Na nova cidade, ele se envolve com Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio, em uma relação intensa que atravessa desejo, afeto e conflitos internos.
O personagem Gabriel é interpretado pelo ator pernambucano Caio Macedo, natural de São José do Egito. A atriz e cantora recifense Diva Menner, que interpreta Mônica na trama, ganhou o prêmio Redentor no Festival do Rio pelo seu papel.
Segundo Sholl, embora o filme tenha elementos autobiográficos, a construção do protagonista passa por uma escolha narrativa ligada ao contexto político da época em que a obra foi concebida. “Essa história do jovem gay que não se aceita, que estava ficando mais rara, voltou a ser comum”, afirma. Para ele, houve “retrocessos institucionais que causaram retrocessos na subjetividade das pessoas”.
O diretor também destaca que cresceu em um ambiente familiar acolhedor, o que difere da trajetória do personagem principal. Ainda assim, decidiu incorporar esse conflito ao roteiro justamente por entender que o tema voltou a ganhar força nos últimos anos.
Além da questão da autoaceitação, o filme também explora o universo da prostituição sem estigmas, buscando mostrar diferentes perspectivas e relações dentro desse contexto. A proposta, segundo Sholl, é fugir de visões simplistas e ampliar o olhar sobre personagens frequentemente marginalizados.
Mesmo reconhecendo avanços recentes na produção audiovisual LGBTQIAPN+ no Brasil, o diretor faz um alerta sobre a instabilidade desse espaço.
“Hoje existe uma abertura maior, mas isso não é garantido. Já houve censura e isso pode voltar a acontecer”, pontua.
Com narrativa intensa e atmosfera urbana, Ruas da Glória se propõe a ir além de uma história de amor, trazendo reflexões sobre identidade, contexto social e os impactos do ambiente político na vida privada.
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