Conheça o novo sistema BeiDou de navegação. Foto: Divulgação
Por décadas, o GPS (Sistema de Posicionamento Global) dos Estados Unidos foi a principal referência em navegação por satélite em todo o mundo. De motoristas a entregadores, de drones a relógios inteligentes, praticamente tudo que se move e precisa de localização usou — e ainda usa — esse sistema. Mas um novo nome vem ganhando força de forma silenciosa e estratégica: o sistema BeiDou, criado e mantido pela China.
O que poucos sabem é que milhões de celulares no mundo, inclusive no Brasil, já utilizam o sistema BeiDou, muitas vezes sem que o usuário perceba. Com presença em mais de 288 milhões de dispositivos, o BeiDou é hoje uma das principais alternativas ao GPS, prometendo maior precisão, cobertura global e, principalmente, autonomia tecnológica para os países que o adotam.
O sistema BeiDou (ou BDS – BeiDou Navigation Satellite System) é um projeto iniciado pela China nos anos 90, que hoje conta com uma constelação de mais de 40 satélites em órbita. Desde 2020, ele oferece cobertura global completa e, em muitas regiões da Ásia, já entrega maior precisão do que o próprio GPS. A proposta da China com o BeiDou é clara: garantir independência em setores estratégicos, como defesa, transporte, logística e telecomunicações.
Mas a expansão não parou por aí. O BeiDou se integrou ao ecossistema de tecnologia de consumo e já está presente em celulares de marcas como Huawei, Xiaomi, Oppo e Realme, além de wearables, bicicletas elétricas, carros inteligentes e até drones de entrega.
A ascensão do sistema BeiDou vai além da tecnologia. Ela reflete uma mudança geopolítica importante. Em meio a tensões com os Estados Unidos, especialmente após rumores de que o ex-presidente Donald Trump poderia bloquear o acesso ao GPS em países como o Brasil, a busca por alternativas soberanas se intensificou.
Para especialistas, esse tipo de ameaça — ainda que improvável — mostra o quanto o mundo ainda depende de infraestruturas controladas por poucos países. “Ter acesso a múltiplos sistemas de navegação não é apenas uma vantagem técnica. É uma questão de segurança nacional e autonomia digital”, explica André Gorgen, especialista em geolocalização.
A resposta depende da região e do tipo de aplicação. O sistema BeiDou já oferece cobertura global e, em áreas como o Sudeste Asiático, é líder em precisão. Até 2035, a China planeja lançar uma nova geração de satélites BeiDou capazes de oferecer posicionamento em tempo real com precisão de até 1 centímetro, algo inédito em larga escala.
Além disso, o BeiDou é capaz de operar em ambientes onde outros sistemas falham, como em regiões montanhosas, áreas urbanas densas ou até missões subaquáticas. Essa versatilidade torna o sistema atraente para uma ampla gama de aplicações — de agricultura de precisão a transporte autônomo.
Provavelmente, sim. A maioria dos smartphones modernos é compatível com múltiplos sistemas de navegação: GPS (EUA), Glonass (Rússia), Galileo (Europa), QZSS (Japão) e o BeiDou (China). Isso significa que o seu celular usa simultaneamente os sinais de diversos satélites para oferecer a localização mais precisa possível.
Mesmo que você não veja “BeiDou” nas configurações, ele está ali, trabalhando nos bastidores. O modelo Galaxy S25 Ultra, por exemplo, lançado em 2025, já opera com os cinco sistemas ao mesmo tempo, garantindo uma experiência de localização mais rápida e precisa.
A popularização do sistema BeiDou marca um ponto de inflexão na história da tecnologia global. Se antes o GPS era visto como insubstituível, hoje o mundo caminha para uma realidade multipolar, com sistemas independentes que competem — e cooperam — para oferecer o melhor serviço ao usuário.
Para o consumidor final, isso significa mais precisão, confiabilidade e liberdade. Para os governos e empresas, significa não depender exclusivamente de uma única potência. E para o mundo, significa que, cada vez mais, os caminhos que seguimos estarão nas mãos de muitos — e não apenas de um.
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