Caverna com maior abertura do mundo. Créditos: Reprodução/Youtube/Manual do Mundo
Em meio à exuberante Mata Atlântica do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, está a Casa de Pedra, uma das cavernas mais impressionantes do planeta. Seu pórtico natural de 215 metros entra na mira do Guinness Book como a maior abertura vertical já registrada, superando grandes formações mundo afora.
A Casa de Pedra foi interditada em 2003, após uma tromba d’água vitimar fatalmente dois visitantes. Chuvas intensas fora da área inundaram subitamente a caverna, pegando turistas e guia de surpresa. Desde o episódio, rigorosos estudos e o Plano de Manejo Espeleológico se tornaram condição básica para reabertura.
Nos últimos meses, pesquisadores da USP em parceria com a gestão do PETAR têm monitorado medidores de chuva, vazão do rio e amplitude das cheias dentro da caverna. O objetivo é prever com precisão as variações do clima e garantir a segurança total dos futuros visitantes, criando protocolos modernos de evacuação e orientação.
O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), que abriga a Casa de Pedra, reúne mais de 400 cavernas, sítios arqueológicos, trilhas, cachoeiras e abriga grande parte da biodiversidade da Mata Atlântica, além de comunidades tradicionais e quilombolas. O parque ostenta o título de patrimônio da humanidade pela UNESCO.
O pórtico da Casa de Pedra tem altura equivalente a um prédio de 70 andares, formando uma imensa janela calcária que fascina aventureiros, cientistas e fotógrafos. O acesso mais selvagem e isolado, com trilhas que cruzam a mata fechada, transforma o passeio em uma verdadeira expedição.
Se o plano de manejo e o relatório de monitoramento forem aprovados até o meio de 2026, o retorno das visitações se dará com roteiros guiados, limitação de turistas e monitoramento climático em tempo real. O ressurgimento da Casa de Pedra pode movimentar o ecoturismo e a economia em Iporanga e toda a região do Vale do Ribeira.
Diante do histórico trágico, o novo modelo de visitação prevê presença obrigatória de guias locais, controle de horários e fechamento imediato em caso de elevação rápida das águas. A equipe de manejo já determinou que equipamentos de monitoramento e comunicação serão reforçados.
Com medições oficiais feitas por drones e laser, especialistas confirmaram que a abertura da Casa de Pedra supera a de cavernas asiáticas antes tidas como recordistas. O registro no Guinness Book depende dessa medição e de divulgação internacional, o que daria projeção mundial à região.
Moradores e pequenos negócios de ecoturismo aguardam a reabertura com esperança, apostando em novos empregos, aquecimento do comércio e reintegração da Casa de Pedra a roteiros nacionais e internacionais de aventura.
A reabertura impõe o desafio de equilibrar visitação segura com a proteção da biodiversidade. Equipamentos de monitoramento ambiental vão avaliar o impacto do fluxo turístico nas espécies de fauna e flora raras da região.
Enquanto o acesso total não retorna, a trilha até o pórtico continua liberada e é considerada uma das mais impressionantes caminhadas do Sudeste brasileiro. O monumento natural é, há décadas, inspiração para cientistas e aventureiros, firmando-se como símbolo maior da rica geodiversidade paulista.
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