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Saiba por que o concreto da Roma Antiga é capaz de se recuperar sozinho

Cientistas desvendam o segredo químico que permite que construções milenares resistam ao tempo e à erosão marítima.

Beto Dantas

27 de janeiro de 2026 às 17:19   - Atualizado às 17:20

Cidade Romana enterrada por séculos no antigo Egito.

Cidade Romana enterrada por séculos no antigo Egito. Crédito: National Geographic

Enquanto o concreto moderno costuma apresentar sinais de fadiga e rachaduras em poucas décadas, as estruturas da Roma Antiga, como o Panteão e o Coliseu, permanecem intactas há mais de dois mil anos. Em primeiro lugar, a durabilidade dessas obras sempre intrigou engenheiros, mas uma descoberta recente revelou que o material não é apenas resistente, mas "vivo". De fato, pesquisadores identificaram que os romanos utilizavam uma técnica de mistura a quente que conferia ao concreto a capacidade de selar suas próprias fissuras assim que elas surgiam.

O papel dos pequenos fragmentos de cal

O segredo está em pequenos pedaços minúsculos de calcário branco, anteriormente ignorados como sinais de má fabricação. Além disso, o professor de engenharia Admir Masic, líder da pesquisa no MIT, explica que esses "clastos de cal" agem como reservatórios de cálcio. Nesse sentido, conforme informações do portal G1, quando uma rachadura começa a se formar e a água penetra no concreto, ela reage com o cálcio, criando uma solução que recristaliza e preenche o espaço vazio, impedindo que a fissura se espalhe e comprometa a estrutura.
 

Sustentabilidade e o futuro da construção civil

A descoberta da fórmula romana pode revolucionar a indústria da construção moderna, que hoje é responsável por uma enorme parcela das emissões de carbono. Dessa forma, o especialista em materiais Ricardo Fontes destaca que a adoção de um concreto autorreparável reduziria drasticamente a necessidade de reformas e reconstruções constantes. Segundo Fontes, em análise divulgada pelo portal UOL, o uso dessa química antiga permitiria criar infraestruturas com vida útil de séculos, diminuindo o impacto ambiental e os custos de manutenção das cidades inteligentes do futuro.

Resistência extrema em ambientes marítimos

Além da auto-reparação, o concreto romano parece ficar ainda mais forte quando em contato com a água do mar, o oposto do que ocorre com o aço das obras atuais. Contudo, a reação química entre as cinzas vulcânicas e a água salgada cria uma estrutura mineral rara chamada tobermorita de alumínio. De acordo com informações da revista Exame, essa substância se expande e reforça a matriz do cimento, explicando por que os cais e portos construídos há dois milênios continuam operacionais na Itália, resistindo à força constante das marés sem sofrer corrosão.

Aplicabilidade da técnica milenar no presente

O desafio atual dos cientistas é escalar essa produção artesanal para os volumes industriais exigidos pelas grandes metrópoles. Portanto, diversas startups de biotecnologia já realizam testes integrando essas cinzas vulcânicas e métodos de mistura térmica em pavimentos asfálticos e pontes. De acordo com o portal Terra, a expectativa é que essa "engenharia reversa" da antiguidade se torne o padrão ouro para construções em áreas sujeitas a desastres naturais, garantindo que a tecnologia do passado proteja as gerações que ainda virão em 2026 e adiante.

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