Rios escondidos em São Paulo e Região. Foto: Educação e Território.
Quem caminha pelas avenidas movimentadas de São Paulo raramente percebe que, poucos metros abaixo de seus pés, correm rios que um dia foram abertos e limpos. Em primeiro lugar, o processo de urbanização acelerado da capital, especialmente no início do século passado, priorizou o soterramento de vales para a construção de vias expressas. De fato, estima-se que existam centenas de rios e riachos que hoje formam uma rede complexa de galerias sob o concreto.
Muitas das principais artérias do trânsito paulistano foram erguidas exatamente sobre o trajeto original de rios importantes. Além disso, o arquiteto e urbanista Alexandre Delijaicov, professor da FAU-USP, explica que vias famosas como a Nove de Julho e a Vinte e Três de Maio ocupam os vales dos ribeirões Saracura e Itororó. Nesse sentido, conforme informações do portal G1, o Rio Anhangabaú corre confinado em galerias sob o centro histórico, sendo responsável por drenar a água de toda a região central.
A decisão histórica de esconder os cursos d'água cobra um preço alto durante o período de chuvas intensas. Dessa forma, o geógrafo Luiz de Campos Jr., um dos fundadores do projeto "Rios e Ruas", destaca que, ao serem confinados em canais estreitos, esses rios perdem a capacidade de absorver o volume de água. Segundo Campos Jr., em análise divulgada pelo portal UOL, a metrópole tratou a água como um problema de engenharia em vez de um patrimônio ambiental valioso.
Nos últimos anos, cresceu o interesse social pela revitalização de trechos desses rios que ainda resistem à poluição. Contudo, o custo e a complexidade logística para abrir avenidas consolidadas tornam esse processo um desafio monumental para a engenharia urbana. De acordo com o urbanista Nabil Bonduki, o foco atual deve ser na sinalização de onde os rios passam e na proteção das nascentes. Conforme a revista Galileu, exemplos internacionais mostram que a recuperação de rios urbanos traz benefícios térmicos e de lazer para a população.
Reconhecer a existência dessas águas é o primeiro passo para uma cidade menos vulnerável a desastres climáticos. Portanto, o mapeamento detalhado dessas galerias permite que novas construções respeitem o fluxo natural do solo. De acordo com o portal Terra, grupos de ativistas continuam organizando expedições urbanas para identificar sons de água corrente sob bueiros, provando que a natureza da capital permanece pulsante e reivindicando seu espaço legítimo sob o asfalto.
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