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Peixes sentem sede? A surpreendente verdade sobre como bebem água no mar e nos rios

Descubra por que peixes marinhos bebem água constantemente para suprir a sede, enquanto peixes de água doce evitam ingerir líquido, um equilíbrio vital e curioso da natureza.

Joice Gomes

03 de outubro de 2025 às 18:10

Peixes sentem sede? Entenda como diferentes espécies bebem água ou não.

Peixes sentem sede? Entenda como diferentes espécies bebem água ou não. Imagem de wirestock no Freepik

Os peixes, seres aquáticos que passam a vida inteira imersos na água, provocam uma curiosidade antiga: será que eles sentem sede? E mais: será que eles bebem água como nós? A resposta exige olhar para um mecanismo fascinante chamado osmorregulação, vital para o equilíbrio entre sais e líquidos no organismo dessas criaturas.

Como a sede funciona nos peixes?

Diferente dos animais terrestres, que sentem sede quando perdem água e buscam líquidos para reidratação, os peixes enfrentam desafios distintos. A sede está ligada ao equilíbrio hídrico e salino do corpo, que varia conforme o ambiente onde vivem, no mar ou na água doce.

Peixes de água salgada: sempre com sede

No oceano, a concentração de sal da água é muito maior do que no corpo dos peixes. Isso provoca um fenômeno onde esses peixes perdem água para o meio externo constantemente e precisam repô-la para não desidratar. Por isso, eles bebem água do mar o tempo todo.

Para eliminar o excesso de sal ingerido, suas brânquias possuem células especiais que funcionam como bombas, expulsando o sal concentrado. A urina dos peixes marinhos é rara e apresenta alta concentração, refletindo essa economia hídrica.

Peixes de água doce: o problema é evitar a água

Já nos rios e lagos, o cenário é inverso: a água tem menos sais que o corpo dos peixes. Assim, a tendência é que a água entre constantemente no organismo deles por osmose. Para evitar o excesso que pode levar à diluição nociva das células, esses peixes quase não bebem água.

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Eles eliminam o excesso urinando com frequência e em grandes quantidades. A ingestão de água é mínima e geralmente acontece de forma incidental, por exemplo, ao se alimentar.

Salmões e trutas: mestres da adaptação

Peixes migratórios, como salmões e trutas, transitam entre água salgada e doce durante a vida. Para sobreviverem, adaptam sua osmorregulação: na migração para água salgada, começam a beber água e reduzem o volume urinário; ao voltarem para água doce, cessam a ingestão e aumentam a eliminação pela urina.

O que é a osmorregulação?

A osmorregulação é o processo fisiológico que mantém o equilíbrio de sais e água dentro do corpo, essencial para a sobrevivência das espécies em ambientes diversos. Trata-se de uma adaptação evolutiva que permite aos peixes sobreviverem tanto em ambiente hipertônico (mar) quanto hipotônico (água doce).

Como a osmose afeta os peixes?

A osmose é a passagem natural da água através das membranas, do meio menos concentrado para o mais concentrado em sais. Nos peixes marinhos, a osmose faz sair a água do corpo para o mar, exigindo que bebam constantemente. Nos peixes de água doce, a osmose faz o contrário, a água entra no corpo, que precisa eliminar o excesso.

Por que entender isso importa?

Compreender a dinâmica da sede e da ingestão de água nos peixes ajuda a explicar como esses animais sobrevivem em diferentes ambientes e revela a complexidade da vida aquática, que depende de delicados mecanismos internos para manter a homeostase.

Mitos desfeitos

A ideia de que peixes nunca sentem sede por estarem cercados de água é um mito. Peixes marinhos, de fato, sentem essa necessidade fisiológica e bebem água para compensar as perdas. Já os peixes de água doce evitam beber para não sofrer os efeitos da diluição.

Curiosidades adicionais

  • Peixes cartilaginosos, como tubarões e raias, têm outras estratégias e, em geral, não precisam beber água.
  • O processo de osmorregulação também é fundamental para a sobrevivência de peixes estenoalinos, que vivem em ambientes com salinidade fixa, e eurialinos, que toleram variações, como salmões.

A sede e o consumo de água nos peixes dependem do ambiente em que vivem e refletem adaptações complexas e evolutivas. Essa ciência revela um mundo invisível onde até mesmo criaturas aquáticas lidam com sua própria “sede”, de formas surpreendentes e essenciais.

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