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Peixe africano prolifera no litoral brasileiro e ameaça espécies nativas

A tilápia-do-Nilo, peixe invasor, se multiplica nos canais de Santos, colocando em risco o equilíbrio ecológico e a biodiversidade local.

Joice Gomes

28 de outubro de 2025 às 13:30

Tilápia do Nilo - Oreochromis niloticus

Tilápia do Nilo - Oreochromis niloticus Créditos: Reprodução/Wikimedia.org

A tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus), peixe originário da África, vem se proliferando rapidamente no litoral brasileiro, especialmente nos canais da cidade de Santos, em São Paulo. Uma recente pesquisa identificou a presença significativa dessa espécie em ambientes urbanos e poluídos, onde tem se adaptado com extrema facilidade, competindo diretamente com as espécies nativas locais.

Os estudos demonstram que a tilápia-do-Nilo sobrevive em ambientes com baixa oxigenação e alta turbidez, características comuns nas áreas urbanas do litoral paulista. Esta resistência, aliada a uma alta capacidade reprodutiva — com fêmeas maduras durante quase o ano todo — potencializa a expansão acelerada da espécie nesses ecossistemas.

A ampla dieta da tilápia, que inclui desde detritos orgânicos até larvas de peixes marinhos importantes para a pesca local, como o papa-terra, evidencia seu potencial disruptivo para as cadeias alimentares existentes. A competição por alimento e espaço com peixes nativos ameaça a biodiversidade da região e pode causar impactos econômicos negativos, especialmente para a pesca artesanal.

A ausência de predadores naturais nos canais de Santos permite que a tilápia-do-Nilo se reproduza sem controle, ampliando seu território rapidamente. Pesquisadores alertam para a necessidade urgente de ações de monitoramento e medidas de controle para evitar danos irreversíveis ao ecossistema costeiro.

Além de Santos, registros indicam que a tilápia já é encontrada em outros pontos do litoral brasileiro, do Maranhão ao Sul do país, levantando preocupações sobre sua invasão em ambientes marinhos e estuarinos. Essa dispersão ameaça não só peixes, mas também aves, répteis e mamíferos aquáticos que dependem das espécies nativas.

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Os desafios são grandes: a superpopulação da tilápia pode levar à alteração das relações ecológicas locais, desequilibrando os ciclos naturais e modificando a composição das comunidades aquáticas. Também existem riscos de transmissão de doenças que antes eram restritas a ambientes de criação, aumentando a complexidade do problema.

Para evitar que essa espécie exótica cause danos irreversíveis, cientistas recomendam a implementação de políticas públicas voltadas à preservação da biodiversidade, controle rigoroso da proliferação da tilápia e conscientização da população sobre os impactos dessa invasão.

A tilápia-do-Nilo no litoral brasileiro é um exemplo claro de como espécies exóticas invasoras podem transformar ecossistemas inteiros e afetar diretamente atividades humanas, como a pesca local, que depende da manutenção da biodiversidade.

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