Mentir pode fazer mal ao cérebro Foto: Divulgação/IA
Mentir pode até parecer um comportamento inofensivo em certas situações sociais, mas a ciência vem demonstrando que o impacto da mentira vai muito além da ética. De acordo com especialistas, o hábito de mentir pode sobrecarregar o cérebro, desencadear reações físicas típicas do estresse e até comprometer a saúde mental de forma duradoura.
Segundo a neurologista Natalia Nasser Ximenes, do Hospital Santa Lúcia (DF), mentir não é apenas mais trabalhoso do que dizer a verdade — é também prejudicial. “Mentir exige um esforço cognitivo maior. A pessoa precisa inventar uma nova versão dos fatos, lembrar dessa história fictícia e, ao mesmo tempo, manter a verdadeira versão em segredo. Esse processo exige que áreas como os lóbulos frontais, os núcleos da base e a amígdala cerebral atuem de forma intensa”, explica.
Essas regiões do cérebro estão associadas ao comportamento social, à tomada de decisões e ao controle das emoções. E a repetição frequente da mentira pode torná-las menos sensíveis, tornando o ato de enganar algo mais automático e menos desconfortável com o passar do tempo.
Além do esforço mental, mentir também provoca sintomas físicos. O corpo entende a mentira como uma ameaça emocional, o que pode gerar reações como taquicardia, suor excessivo, boca seca e até dores de cabeça. Esses sinais são similares aos de uma situação de estresse agudo, porque o cérebro ativa o eixo de resposta ao estresse para lidar com a “farsa” em curso.
Pesquisas recentes mostram que o cérebro de quem mente com frequência acaba se adaptando ao comportamento enganoso, reduzindo as respostas emocionais de culpa ou vergonha. Esse mecanismo pode favorecer transtornos como ansiedade, depressão e até perda de empatia, além de causar prejuízos nas relações sociais e profissionais.
Por isso, neurologistas e psicólogos alertam: a verdade, mesmo quando desconfortável, é menos custosa para o corpo e a mente do que uma mentira elaborada. “A honestidade é um alívio para o cérebro. Ela libera o indivíduo do esforço de sustentar uma versão falsa e reduz o risco de sobrecarga emocional e desgaste físico”, finaliza Natalia.
Da redação do Portal com informações do site psicologodominic.com.br
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