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Maior cajueiro do mundo impressiona pelo tamanho e histórias em Pirangi

Maior cajueiro do mundo, símbolo de Pirangi e patrimônio do RN, desafia o tempo com 9.500 m² e atrai 300 mil visitantes ao ano, em meio a polêmica sobre poda.

Joice Gomes

01 de outubro de 2025 às 14:05

O maior cajueiro do mundo, em Pirangi, RN, cobre quase um campo de futebol.

O maior cajueiro do mundo, em Pirangi, RN, cobre quase um campo de futebol. Créditos: Divulgação/Idema-RN

O Cajueiro de Pirangi, localizado na praia de Pirangi do Norte, em Parnamirim, Rio Grande do Norte, não é apenas uma árvore — é um fenômeno da natureza que ocupa uma área de aproximadamente 9.500 m², equivalente a quase um campo de futebol. Com perímetro de quase 500 metros, seus galhos se estendem lateralmente cobrindo uma imensa copa verde que sugere uma pequena floresta. Essa imponência deixa visitantes e moradores encantados e faz do local um marco da flora brasileira.

Origem e crescimento anômalo

A história do cajueiro gigante começa em 1888, quando o pescador Luís Inácio de Oliveira plantou a árvore que cresceria de forma incomum devido a duas anomalias genéticas. Em vez de crescer para cima, os galhos crescem lateralmente e, ao tocar o chão pelo próprio peso, criam raízes e novos troncos, originando o que parece ser uma floresta mas é, na verdade, uma única árvore, na verdade dois cajueiros integrados, o principal cobrindo 95% da área.

Patrimônio reconhecido mundialmente

Em 1994, o Cajueiro de Pirangi entrou para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o maior cajueiro do mundo. Hoje, é um dos principais pontos turísticos do Rio Grande do Norte, recebendo cerca de 300 mil visitantes anualmente. O local é administrado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) e integra a identidade cultural e econômica da região.

Produção e safra que encantam

Na safra, o cajueiro produz em média entre 70 a 80 mil cajus, cerca de 2,5 toneladas. Entretanto, com o tempo, houve redução na frutificação por causas naturais e impacto da idade avançada da árvore, estimada entre 136 e 157 anos. A safra ocorre principalmente entre novembro e janeiro, quando turistas podem colher frutos e degustar sucos típicos diretamente no local.

Polêmica da poda e debatedores envolvidos

O crescimento exuberante do cajueiro passou a interferir no trânsito local, invadindo ruas, residências e estabelecimentos comerciais. Desde 2024, uma decisão judicial determinou a realização de uma poda sistematizada para garantir a segurança e a preservação da árvore centenária. A iniciativa gerou polêmica entre ambientalistas, moradores e comerciantes: uns defendem como medida necessária e preventiva; outros temem que a poda cause o envelhecimento ou até a morte da árvore.

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Audiências públicas e acompanhamento técnico

Para tratar da questão, o Idema promoveu audiências públicas com participação do Ministério Público, prefeitura, associações de moradores, guias turísticos e especialistas. Criou-se uma comissão técnica para acompanhar a poda e o manejo fitossanitário, que inclui combate a pragas como cupins, visando garantir a longevidade do cajueiro durante e após os cortes planejados, com investimentos previstos de R$ 200 mil.

Infraestrutura para o turismo e preservação

Para facilitar o fluxo de veículos e preservar a copa, foi construída uma estrutura suspensa de 120 metros para apoiar galhos que invadem vias públicas. O acesso ao cajueiro custa em torno de R$ 8, e o espaço oferece uma experiência única para conhecer de perto um símbolo natural e cultural do RN, atraindo turistas de todo o Brasil e do exterior.

Eventos e celebrações dedicados ao cajueiro

Em dezembro de 2024, foram organizadas diversas atividades culturais, educacionais e ambientais para celebrar os 136 anos da árvore. O evento contou com apresentações culturais, rodas de conversa, exposições gastronômicas e ações de preservação ambiental, fortalecendo o vínculo entre comunidade, visitantes e a importância do maior cajueiro do mundo.

Símbolo de identidade e preservação

Mais que uma atração turística, o Cajueiro de Pirangi representa a riqueza natural do Rio Grande do Norte e sua história viva. Enquanto o debate sobre a poda segue, destaca-se a necessidade de conciliar a proteção ambiental com a segurança e convívio da comunidade, preservando esse patrimônio para as futuras gerações.

O convite para a visita

Para quem deseja visitar, o cajueiro está aberto diariamente, com fácil acesso pela Rota do Sol (RN-063), podendo ser alcançado de carro ou transporte público saindo de Natal. A experiência de caminhar sob a sombra dessa gigantesca árvore é única e imperdível para amantes da natureza e da cultura regional.

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