Foto representativa de episódios da memória. Imagem de Michal Jarmoluk em Pixabay
Muitas vezes, confiamos em nossa memória como se ela fosse uma gravação de vídeo impecável e permanente. Em primeiro lugar, a ciência moderna já comprovou que o cérebro humano não armazena fatos de forma estática, mas sim os reconstrói toda vez que tentamos lembrar de algo. De fato, esse processo de reconstrução é altamente suscetível a influências externas, o que dá origem ao fenômeno das falsas memórias.
Um dos casos mais intrigantes de memória coletiva distorcida é o Efeito Mandela, termo que ganhou força após milhares de pessoas compartilharem a mesma lembrança equivocada. Além disso, a pesquisadora Fiona Broome descreve situações em que grupos afirmam ter certeza de fatos que nunca existiram, como detalhes em logotipos de marcas famosas ou falas de filmes clássicos. Nesse sentido, conforme informações do portal G1, o cérebro funde informações semelhantes e cria uma "verdade" coletiva que desafia a realidade histórica.
O nome foi cunhado em 2009 pela pesquisadora paranormal Fiona Broome. Durante uma conferência, ela descobriu que muitas pessoas — incluindo ela mesma — tinham a certeza absoluta de que o líder sul-africano Nelson Mandela havia morrido na prisão nos anos 80. Na realidade, Mandela foi libertado em 1990, tornou-se presidente e faleceu apenas em 2013.
A criação de uma memória falsa ocorre em uma região específica do cérebro chamada hipocampo, responsável por consolidar informações. Dessa forma, o neurocientista Ivan Izquierdo, referência mundial no estudo da memória, explicava que a mente detesta lacunas de informação e utiliza a criatividade para preencher o que foi esquecido. Segundo Izquierdo, em diversas entrevistas ao portal UOL, o cérebro prefere uma narrativa coerente, mesmo que inventada, do que aceitar um vácuo de lembrança.
A falibilidade da memória não é apenas uma curiosidade inofensiva; ela tem impactos reais em decisões e julgamentos. Contudo, depoimentos de pessoas que juram ter visto algo podem ser influenciados por perguntas sugestivas logo após o evento. De acordo com a psicóloga cognitiva Elizabeth Loftus, é possível induzir uma pessoa a acreditar em um evento fictício de sua infância apenas através de conversas repetitivas. Conforme a revista Galileu, esses estudos mostram que a nossa autobiografia mental é, em parte, uma obra de ficção construída ao longo do tempo.
Embora não possamos tornar nossa memória infalível, podemos aprender a duvidar de lembranças que não possuem registros físicos. Portanto, manter diários ou fotografias de momentos importantes é a única maneira segura de confrontar o que a mente tenta editar com o passar dos anos. De acordo com o portal Terra, especialistas sugerem que, ao termos uma lembrança muito forte de algo que outros negam, devemos considerar que fomos vítimas de um "curto-circuito" cognitivo, aceitando a plasticidade do nosso cérebro.
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