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Cometa interestelar 3I/ATLAS atinge ponto mais próximo do Sol e intriga astrônomos

Ele apenas passa pelo Sistema Solar antes de seguir novamente em direção ao espaço interestelar.

Cami Cardoso

30 de outubro de 2025 às 13:05   - Atualizado em 31 de outubro de 2025 às 13:23

Cometa interestelar 3I/ATLAS atinge ponto mais próximo do Sol e intriga astrônomos

Cometa interestelar 3I/ATLAS atinge ponto mais próximo do Sol e intriga astrônomos Foto: Reprodução / Internet

O cometa 3I/ATLAS, considerado um dos raros visitantes vindos de fora do Sistema Solar, alcança neste momento o ponto mais próximo do Sol, conhecido como periélio. O objeto se desloca a cerca de 210 mil km/h, dentro da órbita de Marte, e se tornou o principal foco de observação entre astrônomos de vários países após atingir o periélio, ou seja, o ponto mais próximo do Sol. 

A trajetória do 3I/ATLAS desperta interesse porque segue uma rota hiperbólica, ou seja, o cometa não está preso à gravidade do Sol. Ele apenas passou pelo Sistema Solar antes de seguir novamente em direção ao espaço interestelar. Os cálculos mostram que o objeto chegou a uma distância de aproximadamente 210 milhões de quilômetros do planeta Marte, o que equivale a cerca de 1,4 unidade astronômica.

Apesar da velocidade e da proximidade relativa, o fenômeno não representa qualquer risco para a Terra. A observação, no entanto, oferece uma oportunidade valiosa para testar métodos de rastreamento e aprimorar sistemas usados para acompanhar asteroides que cruzam a vizinhança terrestre.

Astrônomos têm se dedicado nas últimas semanas a registrar detalhes sobre o brilho, a forma e a variação da coma do cometa, que é a nuvem de gases e poeira ao redor do núcleo. O comportamento do 3I/ATLAS surpreende por fugir aos padrões conhecidos. A composição química e o ritmo de evaporação de seus materiais não seguem o que normalmente se observa em outros cometas que orbitam o Sol.

Rico em carbono

Pesquisas realizadas com o auxílio do Telescópio Espacial James Webb revelaram que a coma do 3I/ATLAS contém uma quantidade muito maior de dióxido de carbono (CO) do que o esperado. Os dados indicam que o cometa possui cerca de oito vezes mais CO do que água, algo inédito nas análises já realizadas em objetos semelhantes. Essa diferença química sugere que o 3I/ATLAS se formou em um ambiente extremamente frio, possivelmente em outro sistema planetário, onde o dióxido de carbono permanece congelado por longos períodos.

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A descoberta reforça a ideia de que os cometas podem apresentar composições muito variadas, dependendo da região da galáxia em que surgiram. Essas observações ajudam os pesquisadores a entender melhor como se formam os sistemas planetários e quais condições químicas e físicas podem favorecer o surgimento de mundos diferentes do nosso.

Além do interesse científico, o 3I/ATLAS será utilizado como parte de um treinamento promovido pela Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN). A atividade vai reunir observatórios que possuem código de identificação reconhecido pela comunidade astronômica internacional. O exercício acontecerá entre 27 de novembro de 2025 e 27 de janeiro de 2026 e servirá para aprimorar técnicas de medição orbital e calibrar softwares de acompanhamento de corpos celestes com trajetórias não periódicas.

Os estudos com o cometa também devem ajudar a revisar parâmetros sobre o comportamento térmico de objetos interestelares. A alta velocidade e a composição química fora do padrão reforçam a hipótese de que a matéria-prima que dá origem a esses corpos pode variar bastante entre diferentes sistemas estelares.

Pesquisadores pretendem cruzar os dados obtidos pelo Telescópio James Webb com informações captadas por radiotelescópios e equipamentos terrestres. O objetivo é identificar detalhes sobre a densidade do núcleo e a intensidade das substâncias voláteis liberadas durante a passagem próxima ao Sol.

Cada nova observação amplia o entendimento sobre como materiais se movem entre as estrelas e como o Sol interage com visitantes que vêm de fora de sua influência direta. O cometa 3I/ATLAS, com sua trajetória singular e composição incomum, reforça a ideia de que o espaço ainda guarda muitos segredos sobre a origem e a diversidade dos corpos celestes.

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