Cometa interestelar 3I/ATLAS Foto: Reprodução
A emissão de raios X por cometas não é novidade para a ciência. Esse comportamento foi registrado pela primeira vez em 1996, durante a passagem do cometa Hyakutake.
Na época, a descoberta surpreendeu os pesquisadores porque a radiação costuma estar associada a fenômenos extremamente energéticos, como explodir supernovas ou buracos negros em intensa atividade.
Apesar de ser comum entre cometas do Sistema Solar, esse tipo de emissão nunca havia sido observado em um objeto vindo de fora dele, até agora.
O protagonista desse novo capítulo da astronomia é o cometa 3I/ATLAS, um visitante interestelar que atravessa o Sistema Solar desde julho. A detecção inédita foi feita pela missão japonesa-europeia XRISM, um telescópio espacial dedicado ao estudo de raios X. A observação abre novas possibilidades para entender como objetos originados em outras regiões da galáxia reagem à influência do Sol.
Diferentemente de outras descobertas que exigem longas campanhas, este registro só pôde ser realizado agora porque o cometa, até então, estava muito próximo do brilho solar.
O excesso de luz impedia a captação segura de raios X. Somente entre 26 e 28 de novembro, quando o 3I/ATLAS se deslocou para uma posição mais favorável, o XRISM conseguiu acumular 17 horas de observação.
Os dados revelaram um halo fraco de raios X que se estende por cerca de 400 mil quilômetros ao redor do cometa. Embora sutil, o sinal se mostrou consistente e alinhado ao comportamento típico de cometas que interagem com o vento solar.
Essa radiação surge quando o plasma expelido pelo Sol, composto por partículas altamente energéticas, colide com a coma, a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo do cometa. Nessas colisões, elétrons são arrancados dos átomos da coma, gerando radiação de alta energia.
O XRISM também identificou elementos como carbono, nitrogênio e oxigênio na emissão registrada. A presença desses elementos confirma que os raios X vinham do próprio 3I/ATLAS, e não de fontes externas, como a Via Láctea ou a atmosfera terrestre.
Essa validação é especialmente importante porque o objeto é apenas o terceiro visitante interestelar já confirmado, após o asteroide 1I/ʻOumuamua (2017) e o cometa 2I/Borisov (2019). Entre eles, o ATLAS se destaca por ser mais rápido, maior e mais ativo.
Com a aproximação máxima do cometa prevista para 19 de dezembro, quando ele chegará a cerca de 270 milhões de quilômetros da Terra, novas oportunidades de estudo devem surgir. A expectativa é que telescópios ao redor do mundo consigam capturar mais detalhes sobre sua composição, comportamento e interação com o ambiente solar.
A descoberta reforça o papel desses visitantes interestelares como peças-chave para entender a formação de sistemas planetários além do nosso, e talvez até revelar como materiais viajam entre estrelas.
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