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Cometa 3I/ATLAS: Cientistas em alerta com fenômeno interestelar que desafia teorias

O cometa 3I/ATLAS, um visitante interestelar, surpreende a comunidade científica ao permanecer íntegro após a aproximação do Sol e emitir inéditos sinais de rádio, suscitando debates sobre sua origem e composição.

Joice Gomes

16 de novembro de 2025 às 11:30

Cometa interestelar 3I/ATLAS desafia cientistas ao se manter intacto após periélio.

Cometa interestelar 3I/ATLAS desafia cientistas ao se manter intacto após periélio. Imagem de tawatchai07 no Freepik

O cometa 3I/ATLAS, que vem despertando fascínio e perplexidade entre astrônomos e cientistas de todo o mundo, continua surpreendendo desde sua descoberta em 1º de julho de 2025. Este visitante interestelar, o terceiro já identificado fora do Sistema Solar, tem desafiado conhecimentos tradicionais sobre a natureza e o comportamento de cometas ao se aproximar do Sol, em um evento que ganhou atenção global.

O que é o cometa 3I/ATLAS?

Identificado pelo telescópio ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert Survey System), no Chile, o 3I/ATLAS é um cometa de trajetória hiperbólica que não pertence ao nosso Sistema Solar, vindo de uma região conhecida como o disco espesso da Via Láctea, onde residem estrelas mais antigas do que o próprio Sol. Com idade estimada em cerca de 7 bilhões de anos, sua origem interestelar o torna um objeto único para estudo, permitindo vislumbrar condições e materiais de uma era e local extremamente distantes da Terra.

Aproximação e comportamento incomum

O cometa alcançou seu periélio — ponto orbital mais próximo do Sol — em 29 de outubro de 2025, a uma distância de aproximadamente 1,36 unidade astronômica (UA), entre as órbitas da Terra e de Marte. O que surpreendeu os cientistas foi o fato de que, mesmo diante da intensa radiação solar e calor, ele não se fragmentou, como seria esperado pelo processo de sublimação do gelo em seu núcleo.

Como explicado pelo ex-chefe do departamento de astronomia de Harvard, Avi Loeb, em seu texto no Medium, o 3I/ATLAS parecia ter uma energia maior do que a calculada para manter seu núcleo intacto após o periélio, sugerindo algo fora do comum em sua composição ou até mesmo um mecanismo não natural que altera sua trajetória.

Sinais de rádio inéditos

Outro marco importante na observação desse cometa foi a detecção, pela primeira vez, de sinais de rádio emitidos por um corpo celeste interestelar. Utilizando o poderoso radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, cientistas captaram um sinal de absorção característico de moléculas de hidroxila, um subproduto da decomposição da água presente no gelo do cometa devido à radiação solar.

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Essa descoberta não apenas indica a presença de gelo em seu núcleo, mas também reforça sua natureza como cometa, afastando teorias sensacionalistas que sugeriam origem tecnológica ou alienígena. As ondas de rádio confirmam processos naturais de desgaseificação, que são típicos em cometas ao redor do Sol.

O que dizem as novas imagens e estudos?

Fotografias recentes capturadas pelo Telescópio Óptico Nórdico em 11 de novembro mostraram que o 3I/ATLAS ainda mantém uma cauda, apontando para o lado oposto ao Sol, indicativo de emissão contínua de materiais. Por outro lado, imagens realizadas pela sonda chinesa que estuda Marte contribuíram para uma visualização mais precisa da trajetória do cometa, aumentando a confiança nos cálculos dos cientistas sobre sua posição e movimentos.

Além disso, dados coletados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) mostraram que a coma do 3I/ATLAS é dominada por dióxido de carbono, algo inédito em cometas observados até então, e que aponta para uma composição química diferente dos cometas tradicionais do Sistema Solar.

Relevância para a ciência e defesa planetária

A passagem do 3I/ATLAS também tem uma importância extra para a defesa planetária, já que representa uma oportunidade rara para testar sistemas de monitoramento de objetos potencialmente perigosos vindos do espaço profundo. A combinação de dados obtidos da Terra e de sondas espaciais, como as que orbitam Marte, tem sido fundamental para aprimorar a precisão das previsões de trajetória desses corpos.

Em março de 2026, o cometa deverá se aproximar do planeta Júpiter, a cerca de 50 milhões de quilômetros, quando novas observações poderão trazer mais informações sobre o seu comportamento.

O que esperar a seguir?

Com a expectativa de novas medições de rádio pela sonda JUICE, da ESA, em fevereiro de 2026, o 3I/ATLAS promete continuar sendo alvo de intensa observação astronômica nos próximos meses. Seu estudo aprofundado pode não apenas esclarecer os mistérios em torno de sua origem e composição, mas também ampliar o entendimento sobre objetos interestelares que visitam nosso Sistema Solar.

O cometa 3I/ATLAS, cheio de enigmas e peculiaridades, destaca a constante capacidade da ciência em se reinventar diante do desconhecido, instigando novas perguntas e, ao mesmo tempo, oferecendo pistas preciosas para o avanço do conhecimento humano.

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