A morte da cantora e apresentadora Preta Gil, aos 50 anos, após quase dois anos de luta contra o câncer colorretal, acendeu um alerta entre médicos e pesquisadores
Cantora e apresentadora Preta Gil Foto Montagem/Portal de Prefeitura
A morte da cantora e apresentadora Preta Gil, aos 50 anos, após quase dois anos de luta contra o câncer colorretal, acendeu um alerta entre médicos e pesquisadores: esse tipo de tumor, que tradicionalmente afetava pessoas com mais de 60 anos, tem crescido de forma expressiva entre adultos jovens — especialmente aqueles com menos de 50 anos.
Preta Gil foi diagnosticada com câncer colorretal em janeiro de 2023, aos 48 anos. Desde então, sua luta contra a doença foi marcada por tratamentos intensivos e internações frequentes, até seu falecimento em julho de 2024. O caso, embora doloroso, ilustra uma tendência global: o aumento da incidência desse tipo de câncer em uma faixa etária cada vez mais jovem.
De acordo com a Sociedade Americana de Câncer, aproximadamente 20% dos casos de câncer colorretal nos Estados Unidos já ocorrem em pessoas com menos de 55 anos. Esse número dobrou desde meados da década de 1990. No Brasil, os dados ainda estão sendo analisados com mais profundidade, mas estudos do Instituto Nacional de Câncer (Inca) já indicam um crescimento consistente entre adultos de 20 a 49 anos.
Segundo o oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or, o aumento pode chegar a 70% na comparação com três décadas atrás. Ele ressalta que, além de alarmante, essa mudança de perfil etário exige respostas rápidas em termos de políticas públicas de prevenção e rastreamento.
Especialistas apontam uma série de fatores que podem explicar o crescimento do câncer colorretal entre os jovens: má alimentação, rica em ultraprocessados, sedentarismo, obesidade e até o uso excessivo de antibióticos. Essas mudanças no estilo de vida, associadas a um cenário urbano cada vez mais estressante, parecem contribuir para o aumento precoce dos tumores.
Apesar da gravidade, há esperança. O câncer colorretal, quando detectado precocemente, tem índices de cura superiores a 95%. O problema é que muitos casos em jovens acabam sendo diagnosticados tardiamente, porque nem os pacientes nem os médicos suspeitam da doença nessa faixa etária.
No Brasil, ainda não há um programa público nacional de rastreamento para o câncer colorretal, como existe para mama e colo do útero. Mas especialistas defendem a adoção de exames de sangue oculto nas fezes a partir dos 45 anos como medida de triagem. Em casos com suspeita, a colonoscopia é o exame padrão ouro para confirmar o diagnóstico e até remover lesões antes que se tornem câncer.
A história de Preta Gil não é isolada. Cada vez mais jovens chegam aos consultórios com sintomas como sangue nas fezes, cólicas constantes, perda de peso ou mudanças no ritmo intestinal — sinais que, independentemente da idade, nunca devem ser ignorados.
O legado deixado por Preta, além de artístico, agora também se torna um chamado à consciência sobre o câncer colorretal. Falar abertamente sobre prevenção, exames e sintomas pode salvar vidas.
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