SPA dos Peixinhos, localizado em Olinda Foto Montagem/Portal de Prefeitura
O SPA dos Peixinhos, localizado em Olinda, tornou-se mais uma vez símbolo do colapso da saúde pública do município. Nesta última quarta-feira (25), o teto da sala de medicação da unidade desabou durante o plantão noturno. Embora ninguém tenha se ferido, o susto evidenciou o risco constante enfrentado por profissionais e pacientes que utilizam o espaço.
A tragédia anunciada não é novidade para os que conhecem a realidade do Serviço de Pronto Atendimento dos Peixinhos. Há pelo menos dez anos, o local acumula denúncias de infraestrutura precária, falta de materiais, medicamentos vencidos e ausência de profissionais, como já apontaram fiscalizações do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PE).
A cena encontrada na manhã desta quinta-feira (26) pelo Coren-PE e por veículos de imprensa locais é desoladora: recepção alagada por infiltrações, paredes cobertas de mofo e atendimento parcial. Apenas casos considerados graves estão sendo acolhidos — os demais são orientados a buscar outras unidades.
Durante a vistoria do Coren-PE, um recém-nascido de apenas 24 dias aguardava vaga de UTI para ser transferido. “A unidade não oferece o mínimo de segurança para profissionais ou pacientes. Encontramos adrenalina e heparina vencidas, além de ambulância quebrada e falta de pessoal para triagem”, afirmou Ivana Andrade, chefe de fiscalização do conselho.
O SPA dos Peixinhos continua operando, mesmo sem estrutura básica para manter a segurança de seus usuários. Para os conselhos de classe, essa permanência é inaceitável.
Diante do cenário crítico, o Coren-PE anunciou que está preparando um relatório técnico para solicitar a interdição ética do SPA. A medida visa impedir a atuação de enfermeiros e técnicos de enfermagem no local, alegando que os profissionais não devem ser responsabilizados por trabalhar em condições que colocam sua saúde e a dos pacientes em risco.
A interdição, se aprovada, pode ser concluída em até 15 dias. Nesse período, a unidade seguirá prestando apenas atendimentos emergenciais.
“Não se trata de punir a gestão municipal, mas de proteger quem trabalha e quem precisa ser atendido com dignidade”, reforçou Ivana Andrade.
Relatos de quem depende da unidade revelam o drama cotidiano. Um idoso de 67 anos, com pressão arterial elevada e diabetes, não conseguiu atendimento: “Disseram que o médico não estava. Agora vou tentar em Tabajara. Estou cansado de promessas.”
Já uma moradora do Varadouro, que buscava vacina antirrábica após mordida de cachorro, se deparou com a sala de vacinação fechada. “Só têm a antitetânica. E a outra só se o cachorro adoecer. Isso é inaceitável. A gente paga imposto e não tem o básico.”
A rotina do SPA dos Peixinhos reflete o abandono histórico da saúde pública, onde promessas de campanha não se traduzem em melhorias concretas.
A Prefeitura de Olinda afirmou que iniciou nesta quinta (26) uma obra emergencial para reparar os danos no teto e solucionar os problemas estruturais imediatos. Segundo a gestão municipal, a reforma será dividida em duas fases: a primeira, emergencial; a segunda, uma requalificação geral, com investimento estimado em R$ 1 milhão.
O projeto executivo já está pronto, e a licitação da reforma completa deve ocorrer na primeira semana de julho. “Estamos comprometidos com a recuperação do espaço e com a qualidade do serviço prestado à população”, declarou a Prefeitura em nota.
Apesar do anúncio, muitos moradores questionam se, desta vez, a promessa será cumprida. Afinal, o SPA dos Peixinhos acumula mais de uma década de omissões, vistorias sem efeito e reformas nunca concluídas.
O que acontece em Olinda é um retrato do que se vê em outras cidades brasileiras: unidades de saúde com estrutura sucateada, profissionais sobrecarregados e pacientes desassistidos. O SPA dos Peixinhos tornou-se um exemplo extremo, mas não é um caso isolado.
Enquanto os poderes públicos não assumirem com seriedade o compromisso com o SUS, o teto que caiu será apenas o primeiro — outros virão. E, da próxima vez, pode não haver sorte para evitar feridos.
Da redação do Portal com informações do TribunaOnline
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