Poema de Patativa do Assaré retrata o trabalhador rural, a vida simples e a força do sertanejo, reforçando o valor da cultura nordestina. Créditos: Reprodução/Wikimedia Commons
Considerado um dos maiores poetas populares do Brasil, Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, transformou a realidade do sertanejo em versos de verdade e sentimento. O poema em destaque, que começa com “Sou fio das mata, cantô da mão grosa”, é um retrato fiel da vida do homem simples do campo, exaltando com orgulho o trabalho, a humildade e a sabedoria popular.
No texto, o trabalhador rural é apresentado como alguém que vive da terra e mantém suas raízes, mesmo diante das dificuldades impostas pelo sertão. Patativa fala de maneira direta, usando a linguagem do povo, para expressar o valor da simplicidade e da honestidade. Seus versos contam sobre o esforço diário na roça, a falta de estudo formal e o orgulho de ser quem é.
Essa identificação popular vem do próprio percurso do autor. Nascido em 1909, em Assaré, no sertão cearense, Patativa herdou dos pais camponeses o amor pela terra. Desde pequeno, trabalhou na lavoura e aprendeu com o cotidiano a observar, sentir e transformar as experiências em poesia.
Mesmo com pouca escolaridade, o poeta criou uma obra de profundo conteúdo social e cultural. A simplicidade de sua escrita reflete a oralidade do povo sertanejo e reforça a ideia de que a sabedoria não está apenas na escola, mas também na experiência de vida. Essa é uma das marcas centrais do Patativa do Assaré: a capacidade de traduzir o cotidiano em arte.
O poema não busca glamour nem piedade. Ele revela a dignidade de quem trabalha “de inverno e de estio”, mostrando que o valor do ser humano está no esforço e na sinceridade, não nas riquezas ou títulos. Nesse sentido, Patativa se torna a voz de milhões de brasileiros que vivem do campo, mas raramente têm suas histórias contadas.
Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola
Cantando, pachola, à percura de amô
Não tenho sabença, pois nunca estudei
Apenas eu seio o meu nome assiná
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
E o fio do pobre não pode estudá
Meu verso rastero, singelo e sem graça
Não entra na praça, no rico salão
Meu verso só entra no campo da roça e dos eito
E às vezes, recordando feliz mocidade
Canto uma sodade que mora em meu peito
A obra de Patativa se destaca por seu compromisso com a preservação da cultura e da identidade nordestina. Seus versos falam da seca, da fé, da saudade e da esperança, temas centrais da vida no sertão. Além disso, o poeta reflete sobre as desigualdades sociais, mas sem perder o tom de orgulho e resistência que caracteriza o povo da roça.
Mais do que versos, cada poema de Patativa é um documento cultural. Ele representa uma forma de resistência simbólica, uma defesa da vida rural e da sabedoria popular que atravessa gerações. Ao afirmar que seu “verso rastero, singelo e sem graça não entra no rico salão”, o poeta revela sua consciência de classe e a autonomia de seu fazer artístico, livre das exigências literárias das elites.
Com sua poesia marcada pela fé, pela musicalidade e pelo olhar humano, Patativa do Assaré se tornou um símbolo nacional. Sua obra ultrapassou fronteiras regionais e passou a ser estudada em escolas, universidades e festivais de literatura popular. Ainda hoje, seus poemas servem de inspiração para novas gerações de artistas, cordelistas e cantadores.
O trabalhador rural retratado por Patativa tem rosto, voz e alma. Ele é o personagem central de uma história que valoriza o trabalho digno, a solidariedade e a simplicidade. O poeta soube dar a esse homem comum o espaço que jamais lhe foi concedido pelos grandes centros urbanos, eternizando sua cultura e sua força nos versos do sertão.
Com sua genialidade sertaneja, Patativa do Assaré continua a ecoar nas vozes de quem faz da terra o seu sustento e da poesia, um gesto de resistência e amor à vida.
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