Imagens gravadas na Praia do Cupe motivaram apuração dos órgãos ambientais, que tentam identificar os envolvidos.
30 de setembro de 2026 às 09:47 - Atualizado às 11:13
Banhistas registraram a ação em vídeo. Foto: Reprodução/Instagram
Um peixe-boi cercado por banhistas na Praia do Cupe, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco, virou alvo de apuração ambiental. Vídeos gravados no domingo, 27 de setembro, mostram mais de dez pessoas próximas ao animal, tocando nele enquanto nadavam.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) classificou a abordagem como molestamento. A Secretaria de Meio Ambiente de Ipojuca informou que analisa as imagens para identificar os envolvidos e definir as medidas cabíveis.
O passeio foi associado à empresa Pedro Mergulhos. Procurada pela imprensa, ela não havia respondido até a atualização da reportagem.
O artigo 30 do Decreto Federal nº 6.514/2008 estabelece multa de R$ 2.500 para quem molestar intencionalmente cetáceos, pinípedes ou sirênios em águas brasileiras. O peixe-boi pertence ao grupo dos sirênios.
O dispositivo trata de uma infração administrativa ambiental. A aplicação da penalidade depende da apuração e da atuação da autoridade competente, portanto a previsão da multa não significa que os participantes já tenham sido autuados.
Os órgãos apresentaram relatos diferentes sobre o afastamento do animal. A prefeitura afirmou que agentes ambientais e o Serviço de Salvamento Marítimo acompanharam a situação e o conduziram a uma área segura.
Já o ICMBio declarou que o peixe-boi conseguiu sair naturalmente e não precisou ser resgatado. A identificação do animal ainda não estava confirmada.
O contato próximo com a fauna silvestre exige cuidados mesmo quando não há intenção de machucar. Cercar um animal, limitar sua passagem ou insistir na aproximação interfere na possibilidade de ele permanecer no ambiente sem perturbações.
O Manual de Boas Práticas de Interação com Sirênios no Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos e pelo ICMBio, orienta que as pessoas não toquem nem tentem tocar nesses animais, seja com o corpo ou com objetos. A recomendação também foi destacada na cobertura do episódio pelo Diario de Pernambuco.
Na praia, a orientação é observar a distância, sem alimentar, cercar ou bloquear o deslocamento do peixe-boi. A aproximação para fotografar ou filmar deve respeitar o espaço do animal e as instruções das equipes ambientais.
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