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PCC tenta replicar "assalto ao Banco Central" no Uruguai e empreitada falha; 11 são presos

O plano executado e frustrado contou com Raimundo de Souza Pereira, de 61 anos, conhecido como "Piauí, condenado pelo furto ao Banco Central, em 2005.

Gabriel Alves

17 de fevereiro de 2026 às 14:29   - Atualizado às 14:29

Materiais usado na escavação de túnel e dinheiro uruguaio resgatado após assalto frustrado.

Materiais usado na escavação de túnel e dinheiro uruguaio resgatado após assalto frustrado. Fotos: Ministério do Interior do Uruguai/Divulgação. Arte: Portal de Prefeitura

Cinco criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos após uma tentativa de megaassalto ao Banco da República Oriental do Uruguai, no início do mês de fevereiro, em Montevidéu.

O plano executado e frustrado contou com Raimundo de Souza Pereira, de 61 anos, conhecido como "Piauí, condenado pelo furto ao Banco Central na cidade de Fortaleza, no Ceará, em agosto de 2005. À época, R$ 164 milhões foram levados na ação que ficou conhecida, nacionalmente, como o furto da história do Brasil. A estratégia usada para furtar a instituição financeira uruguaia foi construída aos moldes da brasileira.

Operação falha

A trama usada no país sul-americano baseou-se na escavação estratégica de um túnel e divisão rigorosa das funções de cada membro da empreitada.

A polícia de Montevidéu prendeu o ex-estudante de engenharia e acusado de um roubado a banco em São Paulo, em 1996, Eduardo Félix Farias, Carlos Emerson Cruz, Marcelo Paulo Costa e Danilo do Amor Divino Lima, detido em nação vizinha. Todos são tidos como integrantes do PCC e podem ser extraditados para o Brasil.

Além dos brasileiros, quatro uruguaios, entre eles um dos líderes do esquema, Jorge Fulco, apontado como narcotraficante ligado à organização criminosa de Marcola, e um casal de paraguaios foram detidos.

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Durante a operação policial, 113 kg de maconha e 42 kg de cocaína foram apreendidos.

A Justiça decretou prisão preventiva de 180 dias para todos os 11 envolvidos, de acordo com informações do Ministério do Interior do Uruguai.

A defesa dos suspeitos não foi localizada e o espaço segue em aberto para posicionamentos.

Relembre assalto

O assalto ao cofre do Banco Central do Brasil em Fortaleza, ocorrido em agosto de 2005, ficou marcado como uma das maiores ações criminosas já registradas no país. A operação, planejada durante meses, resultou na retirada de cerca de R$ 164 milhões em dinheiro vivo após a escavação de um túnel que ligava uma casa alugada ao prédio da instituição financeira, no Centro da capital cearense.

Entre os envolvidos apontados nas investigações, um dos nomes que ganharam destaque foi o de Raimundo de Souza Pereira, conhecido como “Piauí”. Segundo a Polícia Federal (PF), ele teria exercido papel relevante na logística da ação criminosa e na articulação entre integrantes do grupo responsável pelo crime, assim como coordenador na escavação. Após o assalto, ele teria embolsado R$ 13 milhões.

De acordo com as investigações, o plano começou a ser executado meses antes do assalto, quando os criminosos alugaram um imóvel sob a fachada de uma empresa de jardinagem. A partir do local, foi escavado um túnel de aproximadamente 80 metros de extensão, equipado com iluminação, ventilação e estrutura para retirada de terra sem levantar suspeitas. O acesso permitiu que o grupo chegasse ao cofre durante um fim de semana, período em que não havia expediente bancário.

Após a descoberta do crime, a PF iniciou uma ampla operação para identificar os participantes e rastrear o destino do dinheiro. Parte dos valores foi recuperada ao longo das investigações, mas a maior quantia nunca foi localizada. Diversos suspeitos foram presos nos anos seguintes, enquanto outros morreram antes do julgamento.

"Piauí" foi apontado pelos investigadores como integrante do núcleo operacional da quadrilha. Ele acabou preso durante as investigações e teve o nome associado à organização do esquema que envolvia divisão de tarefas, financiamento da operação e distribuição do dinheiro após o furto.

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