Padre Antônio de Souza Carvalho. Foto: Arquivo pessoal
Um padre foi condenado a 26 anos e oito meses de prisão por estuprar ao menos dez vezes um coroinha em Penápolis (SP). De acordo com a sentença, os crimes ocorreram entre 2009 e 2014, período em que a vítima tinha entre 13 e 18 anos. Apesar da condenação, ele poderá recorrer em liberdade.
O caso foi julgado pelo juiz Vinicius Gonçalves Porto, que proferiu a decisão na última sexta-feira, 22 de agosto. O religioso foi identificado como padre Antônio de Souza Carvalho, que negou as acusações durante o processo e alegou que os atos eram apenas demonstrações de “carinho”.
Segundo os autos, os abusos tiveram início após a mudança da vítima da zona rural para a área urbana de Penápolis. A família passou a frequentar a Paróquia Sagrada Família, no bairro Eldorado, onde o adolescente se tornou coroinha.
A partir daí, o padre passou a violentá-lo em diferentes situações, principalmente dentro do carro, durante os trajetos até a igreja.
Em um dos episódios relatados, o padre viajou com o adolescente para Limeira (SP). Eles dividiram o mesmo quarto e, novamente, o jovem sofreu abusos.
Durante o processo, a vítima relatou que não denunciava os crimes porque via o padre como uma figura divina. Em casa, porém, passou a apresentar comportamento agressivo. Os abusos só foram revelados à própria igreja após ele atingir a maioridade.
A denúncia formal às autoridades aconteceu apenas no ano passado.
Por meio de nota, a Diocese de Lins, responsável pela paróquia, confirmou que tomou conhecimento da condenação em primeira instância. O caso foi comunicado ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma, que determinou a instauração de um Processo Penal Administrativo, ainda em andamento.
"Como Pastor desta Igreja Particular, manifesto profunda dor diante desse acontecimento, reafirmando nosso compromisso com a verdade, a justiça e o cuidado com todos os envolvidos", escreveu em nota o bispo da Diocese de Lins, Dom João Gilberto de Moura.
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