Juiz mantém justa causa de empregada flagrada em musculação, trilhas e viagens durante licença INSS. Imagem IA
Uma empregada de São Paulo perdeu na Justiça do Trabalho o direito a indenizações após ser flagrada em atividades físicas intensas e lazer durante licença médica pelo INSS. O juiz Vitor José de Rezende, da 66ª Vara do Trabalho, manteve a demissão por justa causa, argumentando quebra de confiança com o empregador. A decisão reforça que licença não é sinônimo de férias irrestritas, e ações incompatíveis podem custar caro.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais, com posts viralizando sobre a "férias fitness" da funcionária. Ela alegava problemas ortopédicos para justificar o afastamento, mas fotos e vídeos mostravam musculação pesada, trilhas em montanhas e viagens de lazer. Especialistas em Direito do Trabalho alertam: isso configura improbidade, uma das hipóteses graves da CLT.
Tudo começou quando colegas e o empregador acessaram perfis públicos dela nas redes. Imagens de academia, com levantamento de pesos e exercícios vigorosos, contrastavam com laudos médicos que atestavam incapacidade total para o trabalho. "Praticar atividade física sabidamente incompatível com o atestado médico viola o dever de boa-fé", sentenciou o juiz em sua decisão.
A defesa da empregada tentou argumentar que as atividades eram leves ou terapêuticas, mas o magistrado não comprou. Ele analisou perícias e depoimentos, concluindo que as trilhas e viagens demandavam esforço físico incompatível com a suposta condição de saúde. Sem reintegração ou verbas rescisórias, ela ficou sem nada, nem danos morais foram reconhecidos.
Não bastasse, o juiz negou qualquer indenização por danos ao empregador, mas manteve a justa causa intacta. Esse tipo de flagrante tem se repetido: em outro caso no TRT/RN, um trabalhador perdeu por ir a festas durante afastamento por Covid. A lição? Redes sociais são armadilhas modernas para quem abusa de licenças.
A Consolidação das Leis do Trabalho lista 12 motivos para demissão sem aviso prévio ou indenizações. No artigo 482, a alínea "l" fala em "ato de improbidade", que inclui mentiras sobre saúde para receber benefícios. Juízes avaliam coerência entre atestado e conduta real.
Esses elementos, juntos, destroem a credibilidade do afastamento. Diferente de casos como o do TST, onde crossfit foi prescrito por médico e justa causa anulada, aqui faltou comprovação médica para as atividades.
Empresas agora monitoram mais redes sociais durante licenças longas. Advogados trabalhistas relatam aumento de 30% em ações por justa causa nos últimos dois anos, impulsionado por provas digitais. Para o empregador, é proteção contra fraudes que custam milhões em auxílios indevidos ao INSS.
Mas e o lado humano? A trabalhadora pode recorrer ao TRT-2, em São Paulo, onde casos semelhantes dividem opiniões. Em um precedente recente, o TST manteve reintegração de bancária com exercícios leves prescritos. Aqui, porém, a intensidade das atividades falou mais alto – trilhas não são fisioterapia de escritório.
O INSS, sobrecarregado, perde com abusos assim. Em 2024, perícias médicas rejeitaram 40% dos pedidos de auxílio-doença por inconsistências. Funcionários honestos sofrem atrasos, enquanto fraudulentos arriscam cadeia por estelionato previdenciário.
Para quem tira licença, o recado é claro: privacidade nas redes é essencial. Poste stories privados ou evite ostentar rotina ativa. "Licença médica é para recuperação, não CrossFit", ironiza um advogado em post viral.
Empresas devem documentar tudo: prints, depoimentos e perícias. Uma justa causa mal fundamentada vira indenização gorda, como em reversões no TST. O equilíbrio é delicado, saúde mental e física importam, mas honestidade é inegociável.
Gestores de RH recomendam políticas internas claras:
Casos como esse alimentam debates sobre o "novo normal" pós-pandemia. Com home office e benefícios flexíveis, limites entre lazer e trabalho borraram. Mas a Justiça do Trabalho sinaliza: fraude tem preço alto. Em 2025, com reformas na CLT em discussão, perícias digitais podem virar rotina.
A decisão de São Paulo serve de alerta nacional. Milhões recebem auxílios do INSS; quantos exageram? Economistas estimam prejuízo bilionário aos cofres públicos. Para a empregada, o tombo foi financeiro e emocional, de licença para desemprego sem rede de proteção.
No fim, a balança da Justiça pesa provas concretas. Redes sociais, outrora aliadas de influência, viram vilãs em tribunais. Quem mente para o INSS e o patrão colhe justa causa e lições duras para a vida profissional.
3
08:20, 13 Fev
25
°c
Fonte: OpenWeather
O valor mínimo do Bolsa Família corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 690,01.
De acordo com o comunicado, a atuação do Vórtice Ciclônico em Altos Níveis, em associação com a confluência dos ventos em baixos níveis é o responsável pela condição climática.
Sorteio de 12/02 não teve ganhador dos sete números e distribuiu prêmios para milhares de apostas nas demais faixas.
mais notícias
+