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Falso major preso em condomínio luxuoso no Cabo tinha patrimônio de R$ 10 milhões

Charles Williams, o falso major, é apontado como líder de um grupo criminoso que atuava há mais de 20 anos no Litoral Sul do estado.

Gabriel Alves

09 de setembro de 2025 às 14:36   - Atualizado às 14:37

Momento em que falso major é preso.

Momento em que falso major é preso. Foto: PCPE/Divulgação

Um homem identificado como Charles Williams Carneiro da Cunha Silva, conhecido como “major”, foi preso em um condomínio de luxo no Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, durante operação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). O suspeito é apontado como líder de um grupo criminoso que atuava há mais de 20 anos no Litoral Sul do estado, acumulando um patrimônio estimado em R$ 10 milhões.

De acordo com as investigações, o falso major é acusado de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. Ele ostentava vida de luxo em um apartamento avaliado entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.

Na residência, a polícia encontrou uma camisa da Polícia Penal, dois simulacros de armas de fogo e outros itens usados para reforçar a falsa identidade de agente público. Já na casa de um comparsa, foi apreendida uma pistola calibre 9 mm.

A Polícia Civil estima que o grupo tenha feito mais de 100 vítimas, e não descarta a participação de policiais militares no esquema, responsáveis por realizar cobranças.

“As vítimas têm bastante medo de procurar a delegacia”, afirmou o delegado Ney Luiz Rodrigues, da Delegacia de Boa Viagem.

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No último dia 2 de setembro, também foram presos a ex-companheira de Charles, Syntia Roberta da Cruz, investigada por tentativa de homicídio, e Williams César Ribeiro, apontado como cobrador do grupo e já detido anteriormente por porte ilegal de arma.

Durante a ação desta terça-feira, 9 de agosto, os agentes apreenderam cerca de R$ 50 mil em espécie, veículos de luxo como uma Hilux 2025 e um Jeep, além de relógios e bens que teriam sido tomados de vítimas. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 300 mil em contas ligadas aos suspeitos e autorizou a divulgação de nomes e imagens dos investigados para estimular novas denúncias.

Segundo a polícia, o grupo atraía vítimas oferecendo empréstimos a juros aparentemente baixos, mas, diante da inadimplência, aplicava valores abusivos e se apropriava de bens como imóveis, veículos e até estabelecimentos comerciais.

Um dos casos investigados envolve uma idosa de 70 anos. A filha dela contraiu uma dívida inicial de R$ 6 mil, que acabou inflada para R$ 50 mil. Como consequência, a família perdeu uma casa avaliada em R$ 400 mil. Desde a divulgação da prisão, ao menos cinco novas vítimas já procuraram a polícia.

 

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