Projeto de três adolescentes venceu competição nacional ao propor uma análise dos riscos de publicações na internet.
20 de outubro de 2026 às 14:36 - Atualizado às 14:41
As responsáveis pela iniciativa são Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, alunas do 9º ano do Colégio e Curso Desafio. Foto: Renan Braz/ Divulgação
Três estudantes de 14 anos do Recife desenvolveram uma ferramenta para ajudar usuários da internet a avaliar as consequências de uma publicação antes de compartilhá-la. Batizado de Pense Bem, o projeto venceu o HackaNAV 2026 e garantiu às adolescentes uma imersão tecnológica na Nasa, agência espacial dos Estados Unidos.
As responsáveis pela iniciativa são Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, alunas do 9º ano do Colégio e Curso Desafio. A competição nacional é organizada pelo Nave a Vela, solução de educação tecnológica da Arco Educação.
O trabalho nasceu de uma preocupação com os efeitos dos conteúdos digitais, incluindo aqueles produzidos ou alterados com inteligência artificial. Para desenvolver a proposta, o trio realizou pesquisas e conversou com professores, estudantes e especialistas.
O Pense Bem conduz o usuário por perguntas sobre o material que pretende divulgar. O questionário aborda, por exemplo, a presença de pessoas identificáveis, a autorização para exposição de suas imagens e o uso de inteligência artificial na criação ou edição do conteúdo.
Também são considerados aspectos como a correspondência entre a publicação e os acontecimentos retratados, além da exposição de material íntimo sem consentimento.
A partir das respostas, a ferramenta classifica os riscos e indica possíveis ajustes para reduzir danos. Embora já esteja disponível na internet, a plataforma ainda passa por aprimoramentos antes do lançamento oficial.
Em entrevista à Agência Brasil, Beatriz destacou que a investigação revelou consequências da desinformação sobre a convivência, a saúde emocional e a democracia. Para a estudante, os impactos ultrapassam os períodos eleitorais.
Alice relatou que passou a questionar mais as informações recebidas e a pesquisar antes de compartilhar notícias. A experiência também chamou sua atenção para a circulação de conteúdos sem verificação em grupos de mensagens.
Letícia, por sua vez, afirmou que o projeto ampliou sua compreensão sobre educação midiática. Ao observar situações próximas, como publicações no Instagram e mensagens em grupos familiares, percebeu como informações falsas podem afetar outras pessoas.
O trio também prepara jogos e uma formação em educação digital para o ambiente escolar. Essas iniciativas estão em desenvolvimento e ampliam a proposta educativa do Pense Bem.
As adolescentes já haviam criado a plataforma Fato ou Boato, voltada à análise de notícias a partir de links inseridos pelos usuários. O contato com os projetos despertou em Alice e Letícia o interesse por carreiras tecnológicas, enquanto Beatriz pretende estudar medicina.
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