A solução ganhou força quando o doutor pediu ajuda ao amigo, engenheiro de software. Juntos, eles criaram a plataforma Cuidado para Todos.
20 de abril de 2026 às 17:29 - Atualizado às 17:42
Médico Lucas Cardim e suas receitas ilustradas. Foto: Reprodução/Acervo pessoal
Na zona rural de Petrolina, no Sertão pernambucano, o médico Lucas Cardim se deparou com um problema que vai muito além da falta de consulta ou de remédio: a dificuldade de leitura de parte dos pacientes, que impedia o entendimento das receitas e comprometia o tratamento.
Em uma região distante dos grandes centros e marcada por desigualdades sociais, ele percebeu que, mesmo com atendimento garantido, muita gente continuava doente por não conseguir decifrar as orientações escritas no papel.
Foi diante dessa realidade que surgiu a ideia de adaptar as prescrições médicas. No início, Lucas passou a desenhar manualmente símbolos simples nas receitas, como uma xícara para indicar a medicação pela manhã e uma lua para o horário da noite. Também usava círculos para marcar a quantidade de comprimidos, numa tentativa de transformar a consulta em algo mais compreensível para quem não domina a leitura. Embora funcional, o processo tomava tempo e, em alguns casos, deixava pacientes constrangidos.
A solução ganhou força quando o médico pediu ajuda ao amigo Davi, engenheiro de software que hoje trabalha no Google, na Suíça. Juntos, eles criaram a plataforma Cuidado para Todos, um sistema gratuito com os remédios mais usados na atenção primária e uma biblioteca de ícones pré-definidos que podem ser inseridos na receita de forma rápida e prática. Além de imprimir a prescrição, o profissional também pode gerar figuras para colar nas caixas dos medicamentos, o que amplia o entendimento do paciente.
A plataforma foi pensada para atender principalmente pessoas com analfabetismo funcional, baixa escolaridade ou dificuldade de compreensão de textos médicos. Em alguns casos, ela também incorpora QR codes e recursos audiovisuais, permitindo que o tratamento seja explicado de forma mais completa e acessível. A proposta vem sendo implementada gratuitamente em unidades básicas de saúde e já alcançou mais de 10 municípios e três distritos indígenas, segundo os idealizadores.
Um dos exemplos citados por Lucas foi o de Maria das Dores, paciente diabética que enfrentava internações frequentes porque não conseguia seguir o tratamento sozinha. Com orientação visual e acompanhamento mais próximo, ela aprendeu a usar a caneta de insulina, trocar as agulhas e fazer o controle da glicemia, apresentando melhora significativa. Para o médico, o caso mostra que oferecer consulta e remédio não basta quando o paciente não entende o que fazer depois que sai da unidade de saúde.
Lucas e Davi defendem que o Sistema Único de Saúde precisa reconhecer as desigualdades regionais e linguísticas do país para ser realmente inclusivo. O Ministério da Saúde, por sua vez, já disponibiliza ferramentas de apoio para profissionais que atendem pessoas com baixo nível de letramento, incluindo pictogramas e materiais padronizados. Ainda assim, a iniciativa pernambucana chama atenção por transformar empatia em solução prática, com potencial de ser incorporada de forma permanente ao SUS.
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