CNH sem autoescolas obrigatórias: apenas 2 horas de aulas práticas. Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Imagine poder tirar a Carteira Nacional de Habilitação sem pisar em uma autoescola tradicional, com apenas duas horas de direção prática e instrutores freelancers supervisionando tudo. Essa é a promessa da Resolução Nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), aprovada por unanimidade no final de novembro de 2025 e ainda aguardando publicação no Diário Oficial da União.
O texto, representa a maior mudança no processo de habilitação desde o Código de Trânsito Brasileiro de 1997. O governo federal, via Ministério dos Transportes e Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), vende a medida como uma revolução inclusiva, capaz de reduzir o custo total da CNH de até R$ 5 mil para algo bem mais acessível, falam em corte de 80%.
Mas será que baratear tanto não abre as portas para mais acidentes? Com 34 mil mortes anuais no trânsito brasileiro e 200 mil feridos graves, o alerta soa alto entre especialistas e donos de Centros de Formação de Condutores (CFCs).
A grande estrela da resolução é o fim da obrigatoriedade de autoescolas para as aulas. Agora, o curso teórico não tem mais carga horária mínima – adeus às 45 horas fixas. O Ministério dos Transportes vai oferecer versão gratuita e online, assíncrona, pelo site ou app Carteira Digital de Trânsito (CDT). Quem quiser pode optar por autoescolas, entidades de EaD ou até escolas públicas de trânsito, misturando modalidades como bem entender.
Nas práticas, o choque: de 20 horas para apenas duas, contínuas ou fracionadas. Para categorias A (motos) e B (carros) juntas, são duas horas extras por categoria. As aulas dispensam veículos de duplo comando e adaptações especiais, basta uma faixa amarela identificando "AUTOESCOLA" ou removível. E o instrutor? Pode ser autônomo, credenciado pelo Detran, sem vínculo fixo com CFC.
Instrutores autônomos precisam de certidão negativa criminal e fiscalização rigorosa, com punições como suspensão por irregularidades. Nada de divulgar aulas nas redes sem permissão do aluno.
O ministro Renan Filho celebra: "Habilitação é trabalho e autonomia para milhões excluídos pelo preço alto". Estimam 20 milhões dirigindo sem CNH e 30 milhões aptos mas sem documento. O modelo segue padrões de EUA, Reino Unido e Canadá, focando em provas, não horas. Processo abre online, sem prazo de validade, e militares, policiais e bombeiros treinam internamente nas corporações.
Do outro lado, CFCs e entidades como a Fenautoescolas gritam por judicialização no STF e Congresso. "Precarização da formação, risco à segurança", diz o setor, que propõe contra-ataque com 10 horas práticas mínimas e fim de autônomos. Especialista Celso Mariano alerta: 53% dos acidentes vêm de falhas comportamentais, ensinadas no teórico. Sem análise de impacto regulatório, veem manobra eleitoreira.
Associações de Detrans e médicos de tráfego temem "uberização" do ensino, com veículos comuns nas ruas e pouca supervisão. "Flexibilizar não pode precarizar", cobra o advogado Gustavo Coelho Martins, da OAB/PR.
Não para por aí: nasce o Programa Nacional de Educação para o Trânsito nas Escolas, integrando conteúdos do básico ao médio. Alunos do ensino médio podem contar aulas como extracurricular para o teórico, com professores capacitados ou parcerias com CFCs. Exame toxicológico segue obrigatório só para C, D e E.
Provas práticas adotam pontuação objetiva do CTB, com até 10 pontos para aprovar, acabando com subjetividades. Retestes gratuitos no primeiro, sem limite de tentativas. Tudo digitalizado no "CNH do Brasil", ampliando a CDT.
Com publicação iminente, o debate ferve. Para jovens desempregados, motoboys e regiões remotas, é alívio financeiro imediato. Mas entidades pedem freio: sem contrapartidas de fiscalização, o trânsito, que mata tanto, pode piorar. O equilíbrio entre acesso e preparo definirá se essa revolução vira sonho ou pesadelo coletivo.
Resta aguardar o DOU e os primeiros impactos reais. Uma coisa é certa: o jeito de virar motorista no Brasil mudou para sempre, priorizando escolha individual sobre rigidez antiga.
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