Policial preocupado. Foto: Reprodução/ Internet
Uma polícia desequilibrada pode proteger uma população com desequilíbrio emocional?
O número de suicídios entre policiais é maior do que na população em geral, segundo estudos da psicóloga Mariza Resende Bazon, da USP (Universidade de São Paulo). Na minha análise, o percentual é fora da curva, sobretudo quando somamos as categorias dos policiais civis e militares. Os estudos apontam duas principais causas: a formação profissional e o estresse da função.
Como psicanalista clínico, venho analisando dados sobre o dia a dia dos policiais. Esses possuem formação profissional e atividades compulsivas, e, logo cedo, desenvolvem rotinas repetitivas e cerimonialistas que os engessam.
Geralmente, quando o assunto abordado é saúde mental dos policiais, há uma ideia que o desequilíbrio emocional é inerente aos policiais de baixa patente e não alcança coroneis, comandantes, delegados e dirigentes. Porém, a peste emocional não exclui nem reis, nem rainhas: infecta todos.
O cérebro humano deve ser estimulado para o funcionamento adequado. Desde o início da civilização que o cérebro vem se moldando a ela, inclusive mudou até de tamanho.
Quando uma mente não é bem informada e elaborada, ela cria, inventa. Somos pessoas com alguns pré-requisitos essenciais para existir, entre esses estão: o cuidado, o acolhimento e o desejo de ser desejado, e as relações interpessoais. Até os psicopatas precisam do outro, os loucos precisam também, e é isso que nos diferencia das outras espécies.
Os policiais não conseguem criar laços de desejos na corporação, há competições e distanciamento, observamos a carência psíquica que é sublimada pela agressividade, violência e masculinidade.
Esse conjunto ronda na mente desde a formação militar, contudo, precisa-se observar a vida familiar, social e intelectual deste enquanto sujeito. Percebem-se lacunas que são preenchidas por outro vazio, pois a mente abstrai o tempo
inteiro.
Colocamos no mesmo balaio o militar. Todos participam coletivamente da mesma connected brain, pois a metodologia usada vem do mesmo pensamento, filosofia ou "deidade".
Não há verdades fora da caserna. Seus deuses estão lá, a verdade está lá. Dependendo da civilização e do continente a dosagem salina pode ser alterada. Sair desse meio, seja por expulsão, aposentadoria ou licença, será um luxo difícil de
elaborar.
Vários estudos foram elaborados e outros estão em andamento, contudo, drogas foram produzidas pelas indústrias farmacêuticas para reduzir o surto e o desequilíbrio no meio policial, mas apenas foram inventadas medicações paliativas e viciantes.
É mais um “remedinho" igual aqueles que os diabéticos tomam ou os risperidona ministrados pelos psiquiatras mensalmente, são todos tratados como gados.
Precisamos perceber que atrás dessa farda tem um sujeito com muitas carências e desejos diferentes, existe um gemido entre os policiais que não tem o mesmo tom, há sequelas, "buracos" que precisam ser observados.
Reich sentenciou: uma peste emocional que alcançou a polícia. Pierre Fédida diz que há transferência, há contaminação psíquica que vai além do emocional.
Enquanto isso, estamos discutindo a criação da próxima droga para encher os cofres da indústria farmacêutica, discutindo o poder da inteligência artificial, perdendo a capacidade cognitiva, e a população pobre do mundo inteiro levando borrachada dos sádicos que criamos como sociedade. Salve-se quem puder, pois a polícia surtou.
A grande guerra que enfrentamos é contra o desequilíbrio emocional, as questões psíquicas, psicológicas e neurológicas, que alguns profissionais da áreas tratam sintomas como diagnóstico.
Qual a diferença do psíquico e do somático? Qual a diferença entre o psiquiátrico e o neurológico? Existe um monopólio da chamada saúde mental, para justificação do controle para algumas especialização?
Devemos buscar soluções para reduzir essa peste emocional, as questões psíquicas que vão além do somático. O neurologista Oliver Sacks, sentencia: "Os limites entre físico e psíquico".
Freud foi um filólogo, pois, como tal, diferenciou a escuta e os gemidos. Esse diferenciamento lhe possibilitou entender o que é uma pulsão. O psicanalista Durval Checchinato diferencia instinto e pulsão, analisando os instintos pertencentes aos animais e as pulsões a nós, humanos.
A guerra deve ser combatida com armas modernas e com técnicas eficientes, no entanto, a comunidade científica envelheceu e age como cerimonialistas. São compulsivos e histéricos como os demais, ou seja, estão infectados pela peste.
Os policiais não escaparam da contaminação da peste emocional. O grande problema é que esses carregam uma arma na cintura, e um surto psicótico pode ajudar a exterminar os humanos, pois esses já estão sendo imbecilizados por outra máquina: o smartphone, as telas. É guerra!
Precisamos de ações governamentais ou teremos no futuro bem próximo o rótulo de “idiotas”. Assim será a humanidade. Teremos uma marca, não aquela profetizada pelos religiosos que seria a marca da besta, mas o selo da idiotia. Para Freud, nunca se pode excluir o suicídio como um possível desfecho psíquico.
Por Edinázio Vieira
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