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Artigo: A "beleza" da mentira - Por Edinázio Vieira

"Vivemos numa bolha, as manchetes, os títulos espalhafatosos são lidos e tem mais likes e compartilhamentos, escreveu o colunista

Ricardo Lélis

03 de setembro de 2025 às 16:46   - Atualizado às 16:46

Representação da mentira

Representação da mentira Foto: Dreamstime

A ilusão entra no cérebro pelos lobos temporais e occipital - ouvidos e olhos. Contudo, a mente, que não se contenta com “qualquer biscoito”, também inventa.

Daí em diante o nível da ilusão e da mentira embriaga o humano e, pasmem, o sexo masculino adora inventar, mentir e iludir.

As mulheres são suas receptoras, sendo atraídas pelo chamado “171”, o golpe. Como no mundo animal, onde o passarinho macho atrai a fêmea pelo canto, o humano, de certa forma, faz o mesmo com as suas mentiras. 

O leitor deve estar intrigado sobre o tema do artigo, mas quem nunca foi embevecido ou se abestalhou por uma embalagem, uma pintura ou uma casca?

Essa esconde o conteúdo, uma verdadeira enganação. Atire a primeira pedra aquele que nunca mentiu e não achou bonito, se considerou capaz da façanha?

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Quantas mentiras salvaram vidas, estimularam pessoas, evitaram falências, abriram portas, fizeram guerras e geraram conflitos?

Não sou advogado da mentira, hoje, ela se apresenta com uma nova roupagem e com novos inquilinos.

A mentira é fake, importaram, colocaram no salto alto, é habitante oficial nos meios políticos, nos governos, nas facções e nos palacetes.

Mentira é negócio de pobre e bandido. Fake é coisa fina, elitizada, até pode maquiar a consciência e driblar a autocensura.

Vivemos numa bolha, as manchetes, os títulos espalhafatosos são lidos e tem mais likes e compartilhamentos.

A mentira quando entra nos ouvidos daqueles que são beneficiados, ativa o neurotransmissor que chamamos de dopamina.

A mentira pode ser mais palatável, degustativa e receptiva, e a pessoa pode reduzir o nível de ansiedade e angústia por algum período. Pode funcionar como um placebo, afinal esse é uma mentira usada pela ciência, que produz endorfina e outros hormônios.

A mentira vem sendo aprimorada em várias atividades humanas. A civilização empurrou o humano para se abrigar num útero não materno - num postiço: a religião, as drogas, a bebida alcoólica, os jogos e tudo que esse humano cria para entretenimento. Alguns, para reduzir as tensões, entretanto, são ilusões óticas, faladas ou escritas, e produtos que estimulam as emoções, bloqueando o cognitivo. 

A inteligência artificial é a maior mentira, pois é oficial, alimentando-se de tudo que o humano produz, mas é cultuada como gênio. 

Posso afirmar que a mentira já nasce quando passamos a entender o que enxergamos, pois tudo que captamos é uma invenção do nosso cérebro produzido pela mente. A mente, mente, e se ela mente, ela ilude, trabalha como um ilusionista. É necessário que o “outro” que vive dentro de nós assuma o controle, pois a consciência é mais um personagem que habita no mesmo corpo que a sua mente percorre.

A mentira nunca foi tão valorizada como neste século: quanto mais civilização, mais fake, mais ilusão. A ideia é rasgar o manto da mentira, retirar a casca, abolir a máscara e criar a nossa “realidade”; não viver a mentira do outro. Viva a sua fantasia, contudo, se ela for criada por você.

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