Lula é homenageado por escola de samba. (Foto: Divulgação)
Por Adriano Roberto
Diz o ditado político que, no xadrez do poder, quem avança o sinal nem sempre está com pressa; às vezes, está apenas forçando o juiz a apitar o fim do jogo.
A presença ostensiva de propaganda política no desfile da Unidos de Niterói - que cruzou a linha do regulamento e das leis eleitorais - levanta uma questão que vai além da euforia do Carnaval: teria sido um erro primário ou uma estratégia de saída?
Para um veterano como Lula, que conhece as engrenagens do TSE como poucos, "atropelar" a legislação eleitoral em plena Sapucaí parece amadorismo demais para ser verdade. A hipótese que ganha força nos bastidores é a da saída categórica.
O Cenário Adverso: Com pesquisas internas mostrando um teto difícil de romper e uma economia que não gera o "sentimento de bem-estar" necessário para uma reeleição garantida, o cenário de derrota tornou-se um fantasma real.
Ao provocar uma infração explícita, cria-se o caminho perfeito para uma inelegibilidade ou uma desistência "forçada" pelas circunstâncias jurídicas. É muito mais digno para um líder histórico sair de cena como alguém "impedido pelo sistema" do que como alguém derrotado nas urnas.
O desfile não foi apenas um tributo; foi uma peça publicitária de 70 minutos. Ao esticar a corda com a Justiça Eleitoral, o governo parece testar o limite do tolerável.
Se a candidatura for inviabilizada ou sofrer sanções pesadas agora, Lula teria o pretexto ideal para ungir um sucessor e se retirar da linha de frente, preservando seu capital político sem o desgaste de um revés eleitoral direto, como um dia de festa de São João em Surubim, ouvi de Sérgio Guerra. "Na política, o que parece erro de cálculo costuma ser, na verdade, a construção de um álibi."
E agora: o que observar? Se nos próximos dias o tom do Planalto for de "confronto contra a perseguição judicial" em vez de defesa técnica, saberemos que a Unidos de Niterói foi o primeiro ato do adeus.
Lula pode estar usando o brilho da avenida para ofuscar uma retirada estratégica, transformando um possível fracasso nas urnas em uma narrativa de injustiça. Vamos aguardar as a acontecimentos pós carnaval.
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"Que o Deus Criador de todas as coisas tenha misericórdia de nós", escreveu o colunista.
"Nesse momento, a criança passa a conviver com pessoas desconhecidas que a castigam no cumprimento de velhas e novas regras.", escreveu o colunista
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