"O mundo das impossibilidades e das frustrações criaram poços de lamentações. Essas queixas são assimiladas por esse ser, que absorvem as queixas", diz colunista
Artigo. Foto: Divulgação
A civilização emparedou e violentou o humano, esse que já vivia o luto do nascimento, pois foi expulso do paraíso onde habitava: o útero intrauterino, onde tinha tudo sem fazer nenhum esforço. Essa falta foi compensada por dois seios que o supriam das necessidades primárias e saciadas através do leite materno. Mas todos os cuidados maternos exagerados e a transição cultural imprimiram novos valores e padrões que contrariaram esse bebê no mundo da adaptação.
O mundo das impossibilidades e das frustrações criaram poços de lamentações. Essas queixas são assimiladas por esse ser, que absorvem as queixas e os discursos controversos, nascendo então sintomas que são reproduzidos pela falta. Essas queixas se juntam no psiquismo, formando poemas: o poema do mal, o poema da morte. Isso gera crostas, se purifica a palavra, se materializa como se fosse um tumor, um câncer. Tudo isso não pode ser visto pelas lentes das neuroimagens ou pelos raios X, pois isso se acumula no cerne, na parte mais íntima da psique. O sofrimento psíquico gera inquietações, insônias, manias, compulsões, obsessões e todas as esquisitices trazidas pela modernidade.
A catarse, o choro, o autoconhecimento moderado e o desprendimento conseguem dissolver a “bolha costrática”, pois fogem de todas as regras e de todos os padrões pré-estabelecidos pelo processo do ter, do acúmulo, em qualquer nível que essa produção formatou tralhas e lixos psíquicos que impedem o prazer humano.
Vivemos buscando próteses e realizando protocolos que são impostos por grupos sociais, religiosos, culturais e científicos, que matam a alma, adoecem o corpo e aprisionam a psique, que ao tentar escapar das prisões, promovem espetáculos dignos das casas de shows e manicômios. São expressões produzidas pelo corpo que chamam a atenção de qualquer vivente, são falas desconectadas e mugangas que são desconexas, chamadas distônicas e delirantes, que alguns grupos classificam como doenças. No entanto, são sofrimentos psíquicos, ou seja, o humano pedindo socorro.
Até onde o sofrimento psíquico, consciente ou inconsciente, é doença? Até onde as reações físicas descontroladas de grupos podem ser classificadas como TDAH? Até onde o medo e as manias podem ser classificados como TOC ou fobias?
A indústria médica e a farmacêutica resolveram tomar o lugar de Deus, criando conceitos, protocolos e medicamentos para curar a alma. Contudo, até esses messias estão sofrendo, pois bilionários, pobretões, reis, governantes ou pedintes sofrem do mesmo mal. O sofrimento psíquico pode produzir doenças, mas todos os humanos padecem desse mal. E só há uma forma de resolver essa equação: “colocar a bola no chão”, perceber a fragilidade humana, amar o berçário onde habitamos, amar a Deus e ao próximo. Então haverá a continuidade da nossa espécie, que surgiu por aqui há 4 milhões de anos. Caso contrário, marcharemos para a extinção da humanidade. O sofrimento psíquico será a cada dia mais forte, levando o humano ao consumo exagerado para suprir uma lacuna cada vez maior. A falta jamais será suprida; seremos extintos com sorrisos idiotas dos novos deuses e o choro escancarado dos famintos.
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