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Lulismo x Bolsonarismo: a polarização que paralisa o Brasil

Nos últimos anos, o Brasil mergulhou em uma polarização política profunda, representada por duas figuras emblemáticas: Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

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10 de julho de 2025 às 22:22   - Atualizado às 22:38

Imagem ilustrativa de Lula e Bolsonaro em uma luta.

Imagem ilustrativa de Lula e Bolsonaro em uma luta. Foto: IA

Nos últimos anos, o Brasil mergulhou em uma polarização política profunda, representada por duas figuras emblemáticas: Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. De um lado, o lulismo, que carrega consigo o legado dos governos petistas e uma base ideológica de esquerda; do outro, o bolsonarismo, que ascende com a bandeira conservadora, liberal na economia e moralista nos costumes. Ambos os movimentos conquistaram legiões de apoiadores, transformando a política nacional em uma disputa quase religiosa entre torcidas organizadas.

Essa polarização tem um efeito colateral devastador: ela paralisa o país. Em vez de focar nos problemas estruturais que há décadas impedem o desenvolvimento do Brasil — como a má gestão pública, a corrupção sistêmica, a educação defasada, o sistema tributário injusto e a desigualdade social histórica —, o debate público se reduz a ataques mútuos, memes e teorias da conspiração.

O Brasil refém das torcidas

A cada eleição, a nação parece se dividir entre “nós” e “eles”, como se houvesse apenas duas opções possíveis. O cidadão que não se identifica com Lula ou com Bolsonaro — e que busca uma alternativa sensata, técnica e equilibrada — frequentemente é taxado como “isentão” ou “em cima do muro”. Mas essa terceira via silenciosa representa milhões de brasileiros que estão cansados de extremismos e desejam, acima de tudo, soluções reais para o país.

O problema é que lulismo e bolsonarismo se alimentam mutuamente. Cada escândalo de um lado serve de munição para o outro. Quando um perde força, o outro ganha. O medo do “retorno da esquerda” impulsiona o bolsonarismo, e o medo do “fascismo da direita” fortalece o lulismo. A consequência? Um ciclo vicioso que estagna o debate nacional.

Polarização: uma distração útil (para alguns)

Enquanto a população se divide em brigas nas redes sociais, nos grupos de família e nas ruas, temas centrais são deixados de lado. A reforma tributária caminha a passos lentos. A educação pública continua sucateada. A saúde enfrenta desafios estruturais. A indústria nacional perde competitividade. E a insegurança alimentar, a pobreza e o desemprego ainda são realidade para milhões.

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Além disso, essa divisão serve muito bem a grupos políticos e econômicos que se beneficiam da instabilidade. Quanto mais distraído está o povo, mais espaço têm os verdadeiros interesses ocultos da política.

As consequências internacionais

A polarização já ultrapassa as fronteiras. A proximidade entre Bolsonaro e Donald Trump, por exemplo, colocou o Brasil em rota de colisão com setores do comércio internacional. A política externa brasileira passou a ser vista com desconfiança, e a instabilidade interna afasta investidores, impacta a imagem do país e compromete acordos comerciais importantes.

Mais grave ainda: o sistema de justiça, que deveria ser um pilar neutro e técnico, também está sendo tragado por essa guerra ideológica. Cada decisão do Judiciário é imediatamente interpretada como “pró-Lula” ou “pró-Bolsonaro”, minando a credibilidade das instituições.

É hora de virar a chave

O Brasil precisa sair dessa armadilha. Lulismo e bolsonarismo podem ter suas contribuições e críticas legítimas, mas o país não pode mais viver em função de dois personagens. É preciso resgatar o debate político sério, técnico, baseado em dados, ideias e projetos — não em paixões cegas.

A reconstrução do país passa necessariamente pelo rompimento com essa lógica binária. Precisamos de líderes que olhem para o futuro, não para seus próprios espelhos. Precisamos de uma sociedade civil ativa, exigente e consciente, que cobre resultados e não discursos inflamados.

Mais do que nunca, é hora de parar de torcer e começar a pensar.

Por: Amisadai Andrade

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