Imagem ilustrativa de Lula e Bolsonaro em uma luta. Foto: IA
Nos últimos anos, o Brasil mergulhou em uma polarização política profunda, representada por duas figuras emblemáticas: Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. De um lado, o lulismo, que carrega consigo o legado dos governos petistas e uma base ideológica de esquerda; do outro, o bolsonarismo, que ascende com a bandeira conservadora, liberal na economia e moralista nos costumes. Ambos os movimentos conquistaram legiões de apoiadores, transformando a política nacional em uma disputa quase religiosa entre torcidas organizadas.
Essa polarização tem um efeito colateral devastador: ela paralisa o país. Em vez de focar nos problemas estruturais que há décadas impedem o desenvolvimento do Brasil — como a má gestão pública, a corrupção sistêmica, a educação defasada, o sistema tributário injusto e a desigualdade social histórica —, o debate público se reduz a ataques mútuos, memes e teorias da conspiração.
A cada eleição, a nação parece se dividir entre “nós” e “eles”, como se houvesse apenas duas opções possíveis. O cidadão que não se identifica com Lula ou com Bolsonaro — e que busca uma alternativa sensata, técnica e equilibrada — frequentemente é taxado como “isentão” ou “em cima do muro”. Mas essa terceira via silenciosa representa milhões de brasileiros que estão cansados de extremismos e desejam, acima de tudo, soluções reais para o país.
O problema é que lulismo e bolsonarismo se alimentam mutuamente. Cada escândalo de um lado serve de munição para o outro. Quando um perde força, o outro ganha. O medo do “retorno da esquerda” impulsiona o bolsonarismo, e o medo do “fascismo da direita” fortalece o lulismo. A consequência? Um ciclo vicioso que estagna o debate nacional.
Enquanto a população se divide em brigas nas redes sociais, nos grupos de família e nas ruas, temas centrais são deixados de lado. A reforma tributária caminha a passos lentos. A educação pública continua sucateada. A saúde enfrenta desafios estruturais. A indústria nacional perde competitividade. E a insegurança alimentar, a pobreza e o desemprego ainda são realidade para milhões.
Além disso, essa divisão serve muito bem a grupos políticos e econômicos que se beneficiam da instabilidade. Quanto mais distraído está o povo, mais espaço têm os verdadeiros interesses ocultos da política.
A polarização já ultrapassa as fronteiras. A proximidade entre Bolsonaro e Donald Trump, por exemplo, colocou o Brasil em rota de colisão com setores do comércio internacional. A política externa brasileira passou a ser vista com desconfiança, e a instabilidade interna afasta investidores, impacta a imagem do país e compromete acordos comerciais importantes.
Mais grave ainda: o sistema de justiça, que deveria ser um pilar neutro e técnico, também está sendo tragado por essa guerra ideológica. Cada decisão do Judiciário é imediatamente interpretada como “pró-Lula” ou “pró-Bolsonaro”, minando a credibilidade das instituições.
O Brasil precisa sair dessa armadilha. Lulismo e bolsonarismo podem ter suas contribuições e críticas legítimas, mas o país não pode mais viver em função de dois personagens. É preciso resgatar o debate político sério, técnico, baseado em dados, ideias e projetos — não em paixões cegas.
A reconstrução do país passa necessariamente pelo rompimento com essa lógica binária. Precisamos de líderes que olhem para o futuro, não para seus próprios espelhos. Precisamos de uma sociedade civil ativa, exigente e consciente, que cobre resultados e não discursos inflamados.
Mais do que nunca, é hora de parar de torcer e começar a pensar.
Por: Amisadai Andrade
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19:19, 12 Fev
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Quando um homem agride, ameaça ou mata uma mulher, ele não age por ignorância, mas por convicção de que poderá recuperar sua liberdade em pouco tempo.
São os guerreiros das timelines, os soldados das notificações, os defensores da causa invisível.
Enquanto ideologias se enfrentam, o povo segue esperando por algo muito mais básico, serviços públicos dignos, eficientes e acessíveis.
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