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Artigo: Náutico, uma história grande de um clube que se tornou pequeno

A maior dor para o torcedor timbu, no entanto, não é só ver o time fora da elite. É sentir que o clube, com tanta história e tradição, parece sem rumo.

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10 de junho de 2025 às 18:18   - Atualizado às 19:22

Clube Nautico Capibaribe

Clube Nautico Capibaribe Foto: Divulgação

Ao caminhar pelas ruas do Recife e ouvir as histórias contadas pelos torcedores mais antigos, é impossível não se emocionar com as lembranças do Clube Náutico Capibaribe. Fundado em 1901, com origem no remo e virada ao futebol apenas em 1905, o Náutico representa um dos pilares do esporte em Pernambuco e no Nordeste. Mas, apesar de sua grandeza histórica, o clube vive hoje uma realidade distante dos tempos de glória — e é exatamente nesse contraste que reside a força simbólica dessa instituição centenária.

Raízes profundas e glórias que moldaram uma nação alvirrubra

O Náutico é muito mais do que títulos. É tradição, identidade e resistência. Ainda que não ostente uma galeria recheada de taças nacionais ou receitas milionárias, o clube construiu uma trajetória sólida e respeitável. Entre os maiores orgulhos está o hexacampeonato pernambucano entre 1963 e 1968, um feito até hoje lembrado com reverência pelos alvirrubros.

Essa sequência de conquistas não apenas marcou a hegemonia no estado, como também moldou uma geração inteira de torcedores apaixonados. O Estádio dos Aflitos, palco de tantas batalhas e viradas históricas, tornou-se mais que um campo de futebol — virou casa, refúgio e símbolo de luta.

O Náutico sempre foi celeiro de talentos. Revelou jogadores como Beto, Kuki, Felipe e Douglas Santos, este último alcançando destaque internacional. 

Reerguendo-se após quedas: os desafios do presente

Mas os ventos mudaram. Se no passado o Náutico era temido e respeitado regionalmente, os últimos anos mergulharam o clube em um ciclo de instabilidade e sofrimento. A última grande alegria veio em 2019, com o emocionante acesso à Série B após uma vitória nos pênaltis contra o Paysandu, nos Aflitos lotados.

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O clube chegou a um ponto tão crítico em sua trajetória que a conquista da Série C do Campeonato Brasileiro passou a ser celebrada como um feito histórico, algo impensável diante do peso e da tradição que o Náutico já representou no futebol nordestino e nacional.

Contudo, o alívio durou pouco.

Em 2021, sob o comando de Hélio dos Anjos, o Náutico teve um início de Série B promissor, liderando a competição por várias rodadas. A torcida se empolgou com um futebol ofensivo e parecia que o clube voltaria à elite. Mas a queda no segundo turno foi tão drástica quanto inesperada, e o acesso não veio. O baque emocional foi forte e acabou representando apenas mais um fracasso em meio a uma longa sequência de erros de planejamento, instabilidade nos bastidores e decisões equivocadas que vêm marcando a trajetória recente do clube.

O ano de 2022 foi devastador. Sem estabilidade técnica ou financeira, o time foi rebaixado para a Série C. Salários atrasados, elenco enfraquecido, problemas administrativos e estrutura física deteriorada marcaram a temporada. As dívidas aumentaram e o futebol sumiu.

Em 2023, apesar do apoio incondicional da torcida — que jamais abandona o clube —, o Náutico novamente falhou em retornar à Série B e ainda colecionou eliminações precoces em competições como o Campeonato Pernambucano e a Copa do Brasil.

De grande a pequeno — mas jamais irrelevante

Hoje, o Náutico se vê pequeno em orçamento, estrutura e presença nacional. Mas sua história grita. Ela pulsa em cada arquibancada dos Aflitos, em cada bandeira hasteada e em cada timbu que sonha com dias melhores.

No entanto, o desafio é imenso — e agravado por uma sucessão de gestões que falharam diante das exigências do clube. Prometeram modernização, mas entregaram instabilidade. Faltou visão de longo prazo, transparência e compromisso com a reconstrução real do Náutico. Em vez de liderar um processo de recuperação consistente, muitas administrações recentes se limitaram a apagar incêndios e alimentar ilusões, aprofundando a crise de um clube que já foi referência no Nordeste. É preciso mais do que promessas: o que o Náutico precisa agora é planejamento sério, profissionalismo e, acima de tudo, respeito pela história que o fez grande.

Um clube pequeno no papel, mas gigante no coração

Pode ser que hoje o Náutico esteja longe dos holofotes, mas sua essência permanece. A paixão de sua torcida, a tradição enraizada em Pernambuco e os capítulos gloriosos de seu passado fazem com que o clube jamais seja esquecido.

O Náutico é um clube que, embora pareça pequeno nas manchetes de hoje, carrega uma história grande demais para ser ignorada. E como já mostrou tantas vezes, pode até cair, mas sempre encontra um jeito de se levantar.

Por: Amisadai Andrade 

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