Desde o fim do padrão-ouro na década de 1970, o valor do real, assim como do dólar, depende da confiança na capacidade do governo de honrar suas dívidas e manter a estabilidade econômica, e não de reservas físicas de ouro.
Moeda do Brasil, o real. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Até o início dos anos 1970, as principais moedas do mundo, incluindo o dólar americano, eram lastreadas em ouro, ou seja, seu valor estava diretamente vinculado a uma quantidade fixa de ouro. Esse sistema, chamado padrão-ouro, proporcionava previsibilidade cambial, mas limitava a flexibilidade das políticas econômicas adotadas pelos governos. No caso do Brasil, o real, criado em 1994, nunca teve lastro em ouro diretamente, mas suas origens monetárias refletiam um cenário global ainda fortemente influenciado pelo padrão-ouro.
A ruptura definitiva desse sistema ocorreu em 1971, quando o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, anunciou a suspensão da conversibilidade do dólar em ouro. Esse movimento, conhecido como "Nixon Shock", encerrou o sistema de Bretton Woods, que até então garantia que o dólar valesse um valor fixo em ouro (US$ 35 por onça). A partir daí, as moedas passaram a ser fiduciárias, ou seja, seu valor não está mais ligado a reservas físicas, mas sim na confiança que a sociedade tem na capacidade de pagamento e na estabilidade das políticas econômicas do Estado emissor.
Hoje, o real e o dólar, entre outras moedas globais, não são lastreados em nenhum ativo físico como o ouro. Seu valor depende da confiança que o mercado, os agentes econômicos e a população têm de que o governo será capaz de honrar suas dívidas, controlar a inflação, garantir a estabilidade dos preços e manter uma economia saudável e produtiva.
Os principais pilares que sustentam o valor dessas moedas são:
Quando essa confiança é abalada, por exemplo, por altos níveis de dívida pública ou déficits fiscais crescentes, o valor da moeda pode oscilar negativamente, refletindo na taxa de câmbio e no poder de compra da população.
No Brasil, a dívida pública tem impacto direto sobre o valor do real. Uma dívida alta, especialmente quando relacionada a gastos públicos elevados e má gestão fiscal, pode gerar desconfiança no mercado, levando à desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar. Isso ocorre porque investidores passam a temer que o governo não consiga honrar suas obrigações, o que aumenta o risco-país e, consequentemente, a taxa de câmbio.
Além disso, o Banco Central pode ser obrigado a aumentar as taxas de juros para conter a inflação e proteger a moeda, mas isso também encarece o custo do crédito e pode frear o crescimento econômico. Essa situação é conhecida como "dominância fiscal", onde o endividamento do governo condiciona a política monetária e compromete o equilíbrio econômico.
Apesar da popularidade da ideia de que o real deveria ser lastreado em ouro para ter valor "de verdade", essa concepção não reflete a realidade econômica atual. O Brasil, assim como a maioria das economias globais, adotou o regime fiduciário. Não há necessidade de o país manter grandes reservas físicas de ouro para garantir a confiança na moeda, desde que mantenha políticas públicas responsáveis e uma economia sólida.
Essa mudança permite maior flexibilidade nos ajustes econômicos e evita as limitações severas impostas pelo padrão-ouro, que restringia a política monetária e fiscal em momentos de crise. Contudo, impõe o desafio constante de manter a credibilidade e a estabilidade, pois a moeda agora é mais sensível às percepções do mercado e às decisões dos gestores públicos.
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