Foto: Reprodução/blog Advantech
O monitoramento das vias urbanas e rodovias brasileiras atingiu um novo patamar tecnológico neste início de 2026. Em primeiro lugar, a implementação de câmeras de altíssima resolução, integradas a softwares de inteligência artificial, permite agora a autuação automática de infrações que antes dependiam do olhar atento de um agente. De fato, o foco principal dessas novas ferramentas é o uso do celular ao volante, uma das maiores causas de acidentes fatais no país.
Diferente dos radares tradicionais que focam apenas na velocidade, os novos equipamentos analisam o comportamento dentro da cabine. Além disso, o engenheiro de tráfego Horácio Augusto Figueira, consultor e mestre em transportes pela USP, explica que o sistema utiliza algoritmos de reconhecimento de padrões para identificar a postura do motorista e o formato do aparelho junto ao rosto ou nas mãos. Nesse sentido, conforme informações do portal G1, as câmeras possuem filtros polarizadores que eliminam o reflexo do sol no para-brisa, garantindo uma imagem nítida do interior do veículo.
A precisão do sistema levanta debates sobre a privacidade, mas a legislação garante a validade das imagens para fins de segurança viária. Dessa forma, o especialista em direito de trânsito Julyver Modesto de Araujo, conselheiro do CETRAN-SP, destaca que as autuações feitas por videomonitoramento são válidas desde que a via esteja devidamente sinalizada sobre a presença do equipamento. Segundo Araujo, em entrevista ao portal Poder360, a tecnologia também consegue identificar a falta do uso do cinto de segurança e o transporte irregular de crianças simultaneamente.
A expectativa das autoridades é que a presença desses "olhos eletrônicos" force uma mudança imediata na conduta de quem dirige. Contudo, a tecnologia não perdoa o "uso rápido" em semáforos, que também é passível de multa. De acordo com o diretor do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), José Aurélio Ramalho, a distração causada pelo celular equivale a dirigir sob efeito de álcool em termos de tempo de reação. Conforme a revista Exame, o custo médio dessas multas gravíssimas, somado aos pontos na CNH, tem sido um fator inibidor mais eficaz do que as campanhas educativas tradicionais.
As câmeras inteligentes fazem parte de um ecossistema de "Cidades Inteligentes" que visa reduzir drasticamente a mortalidade no trânsito até 2030. Portanto, o condutor deve estar ciente de que o monitoramento é constante e opera 24 horas por dia, inclusive em condições de baixa visibilidade ou chuva forte. De acordo com o portal Terra, as prefeituras das grandes metrópoles já planejam expandir essa rede para detectar até mesmo o uso de fones de ouvido e o desrespeito às faixas de pedestres de forma totalmente automatizada.
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