Donald Trump comenta prisão de Nicolás Maduro. (Fotos: Isac Nóbrega/PR e Reprodução/ Redes Sociais)
Uma pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira, 15 de janeiro, aponta que 58% dos brasileiros dizem ter medo de que algo semelhante à ação dos Estados Unidos na Venezuela possa ocorrer no Brasil. Outros 40% afirmam não ter esse receio.
O temor é maior entre os que se autodeclaram lulistas: 74% dizem ter medo desse tipo de situação. Entre os bolsonaristas, o índice é de 57%.
O levantamento também avaliou a percepção da população sobre a ação militar que bombardeou pontos de Caracas e resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Segundo os dados, 46% dos brasileiros aprovam a operação, enquanto 39% a desaprovam.
A Quaest ainda questionou qual deveria ser a reação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do episódio. Para 66% dos entrevistados, o Brasil deveria manter uma posição de neutralidade.
Outros 18% defendem que o governo apoie a ação, enquanto 10% avaliam que o país deveria se opor. Já 6% não souberam ou não responderam.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O presidente Lula se pronunciou no dia 3 de janeiro, sobre os ataques dos Estados Unidos è Venezuela e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Lula condenou a ação militar e cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", disse Lula, por meio das redes sociais.
"A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação."
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