Professores da rede pública enfrentam sobrecarga, pressão e adoecimento físico e emocional. Foto: Freepik
Em escolas públicas brasileiras, muitos professores têm buscado licença médica motivada por transtornos relacionados à saúde mental. Em 2023, por exemplo, a rede estadual de ensino de um estado registrou 2.963 pedidos de afastamento por “transtornos mentais e comportamentais”. Esse quadro reflete uma tendência crescente.
Dados mais antigos mostram que, mesmo em 2018, no estado de São Paulo, houve 53.162 licenças por esse tipo de diagnóstico, o que representou mais de 40% de todos os afastamentos médicos daquele ano.
Estudos acadêmicos reforçam esse contexto: docentes apresentam risco maior de desenvolverem problemas psicológicos em comparação a outras profissões, devido às condições de trabalho. Entre os fatores que contribuem para esse adoecimento estão a carga de trabalho excessiva, turmas numerosas, múltiplos empregos, tarefas extraclasse, pressão por resultados, falta de suporte e, em muitos casos, situações de violência ou desrespeito dentro da escola.
Em relatos de professores, aparecem experiências de conflito constante, sentimento de desvalorização e esgotamento psíquico. Uma docente, ao comentar o que viveu em sala, falou de agressões verbais “colocar o dedo no meu nariz, no meu rosto” e de uma rotina que corroía sua saúde mental.
Outro elemento recorrente é a sobreposição de funções. Muitos professores acumulam cargos para garantir renda, o que amplia a carga diária e suprime o tempo para descanso ou autocuidado.
Em função dos transtornos como depressão, ansiedade, síndrome de estresse ou de burnout, alguns docentes são afastados do trabalho. Em certos casos, optam pela readaptação funcional, passando a exercer atividades administrativas ou de apoio, sem sala de aula.
Relatos publicados pela imprensa expõem o peso dessas experiências. Há quem afirme que “vai adoecendo aos poucos” em meio à pressão, desrespeito e sensação de não ser valorizado.
Pesquisas apontam que os problemas de saúde mental entre professores se manifestam em sintomas diversos: insônia, ansiedade, depressão, fadiga, dores físicas, irritabilidade, cansaço constante, falta de motivação e dificuldade de conciliar a vida pessoal com a profissional.
Esses sintomas não nascem apenas do ato de ensinar, eles surgem da combinação de condições adversas: longas jornadas, turmas lotadas, falta de recursos, pressão institucional e convivência com comportamentos desafiadores.
Organizações que estudam saúde ocupacional e educação alertam que a situação requer atenção urgente. O desgaste mental dos professores não compromete apenas a vida deles, pode refletir no ambiente escolar, na qualidade do ensino e no bem-estar de estudantes e colegas.
O cenário revela que o trabalho docente, tantas vezes idealizado como missão de transformação, tem se tornado fonte de sofrimento para muitos. Muitos professores que amavam ensinar hoje vivem esgotados, com saúde frágil e vidas profissionais (e pessoais) abaladas.
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