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PL Antifacção aprovado com mudanças radicais: entenda o que muda e os próximos passos no Senado

Câmara aprova projeto que endurece penas contra facções criminosas; texto traz novidades e enfrenta resistência do governo.

Joice Gomes

19 de novembro de 2025 às 07:40

Câmara aprova projeto que endurece penas contra facções criminosas.

Câmara aprova projeto que endurece penas contra facções criminosas. Créditos: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Reprodução/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou no dia 18 de novembro de 2025 o PL Antifacção, que estabelece um marco legal contra o crime organizado e ultraviolento no Brasil. A aprovação do texto-base, que substitui a proposta original do governo, representa um endurecimento das penas e a criação de novos instrumentos para enfrentar facções criminosas, além de gerar críticas e polêmicas que prometem repercutir no Senado.

O que mudou no PL Antifacção aprovado?

O texto do relator Guilherme Derrite (PP-SP) conceitua as facções como organizações ultraviolentas e impõe penas que variam de 20 a 40 anos para crimes relacionados ao domínio territorial dessas organizações. Um ponto importante é o uso de alta tecnologia, como drones e sistemas de inteligência, que pode dobrar a pena aplicada. Além disso, há restrições severas à progressão de regime, dificultando o avanço para regimes prisionais mais brandos, e proibição de voto para membros dessas organizações.

Outras medidas incluem:

  • Julgamento de homicídios cometidos por facções por um colegiado de juízes, substituindo o Tribunal do Júri;
  • Audiências de custódia por videoconferência na maior parte dos casos;
  • Facilitação do confisco de bens de origem ilícita mesmo antes da condenação definitiva;
  • Proibição de benefícios penais como anistia, graça, indulto, fiança ou livramento condicional para integrantes das facções.

Polêmicas e resistência do governo

A versão aprovada na Câmara é vista como uma derrota para o governo Lula, que originalmente propôs um texto diferente. A ministra Gleisi Hoffmann classificou a aprovação como uma “lambança legislativa”, alegando inconstitucionalidades e falta de diálogo do relator com o Executivo. Já o líder do PT, Lindbergh Farias, criticou a recusa do relator em negociar e afirmou que tentará retomar o texto original no Senado.

Outra controvérsia foi a retirada da proposta que colocava facções criminosas no mesmo enquadramento de grupos terroristas — sugestão inicialmente defendida pelo relator, mas removida após decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta. A retirada foi comemorada por parlamentares governistas.

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Próximos passos no Senado

Após a aprovação na Câmara, o projeto segue para o Senado, onde deve enfrentar novas discussões e possíveis alterações para atender critérios de constitucionalidade e efetividade. A oposição já indicou intenção de reverter trechos polêmicos, enquanto o governo tenta recuperar pontos do texto original.

Hugo Motta afirmou que o projeto representa a resposta mais dura já dada pelo Legislativo ao crime organizado. O relator previsto para o Senado, deputado Vieira, indicou que buscará diálogo para construir um texto consensual que fortaleça o enfrentamento às facções.

Impactos esperados para o combate ao crime organizado

Ao endurecer penas e introduzir novas formas de investigação e enfraquecimento financeiro, o PL Antifacção tenta dar um salto na segurança pública, fechando brechas que favorecem a atuação das facções. O endurecimento da progressão de pena e a fiscalização mais rígida nos presídios são pilares para impedir que líderes mantenham influência.

A definição das organizações como ultraviolentas e a ampliação das penalidades reforçam o caráter de “guerra em tempo de paz”, como definiu o relator Derrite, frente ao crescimento e sofisticação dos grupos criminosos.

O marco legal busca um combate mais eficaz às facções, mas ainda enfrentará debates e ajustes no Senado. A repercussão demonstra que o tema seguirá no centro das discussões sobre segurança pública nos próximos meses.

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