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Muro subterrâneo de 6 km reforça proteção em praia famosa para conter erosão

Obra inédita visa conter erosão e ampliar segurança da orla alargada, transformando a principal praia da cidade em referência de engenharia costeira.

Joice Gomes

29 de setembro de 2025 às 12:20

Obra inédita visa conter erosão e ampliar segurança da orla alargada.

Obra inédita visa conter erosão e ampliar segurança da orla alargada. Créditos: Divulgação/Reprodução

Balneário Camboriú, em Santa Catarina, está implantando um muro subterrâneo de concreto armado com 6 km de extensão na Praia Central, principal orla da cidade, visando conter a erosão e proteger a nova faixa de areia obtida por meio do alargamento artificial realizado em 2021. A intervenção surge após a ampliação da praia, que expandiu a faixa de areia de 25 para 70 metros, mas enfrentou consequências hidrológicas e processos erosivos em pontos críticos.

Alargamento da Praia Central: o contexto

Em 2021, a Praia Central passou por uma megaobra de engorda artificial que ampliou significativamente a orla, utilizando areia retirada de uma jazida a 15 km da costa, com rigoroso critério para manter características naturais do sedimento, garantindo estabilidade. A obra buscou aumentar a proteção da orla contra o avanço do mar e melhorar a infraestrutura para lazer e mobilidade urbana.

Riscos e desequilíbrios após o alargamento

Apesar do sucesso inicial, a ampliação gerou desafios, como a formação de poças d’água temporárias em dias de maré alta e o aumento de alagamentos em até 40% na região, devido ao novo perfil costeiro. Ademais, setores específicos da praia, especialmente na ponta da Barra Sul, sofreram erosão intensa, perdendo até 70 metros de faixa de areia em dois anos, o que evidenciou a necessidade de intervenções complementares.

Características do muro subterrâneo

O muro está sendo construído desde agosto de 2025, iniciando-se no trecho entre a Rua 3920 e o molhe da Barra Sul, totalizando inicialmente 1,5 km de extensão com previsão de alcançar os 6 km ao final. Feito de concreto armado com mais de 2 metros de profundidade e estrutura base de pedras basálticas (rachão), o muro funcionará como barreira física subterrânea contra o avanço da maré alta e processos erosivos.

Integração com o projeto de reurbanização

A obra do muro integra um amplo projeto orçado em R$ 31 a 35 milhões que engloba reurbanização da orla com ampliação do calçadão, criação de ciclovias, estações de exercícios, dog parks, quiosques e áreas verdes com plantas nativas resistentes à salinidade. A iniciativa busca aliar proteção costeira com maior qualidade de vida para moradores e turistas.

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Sistema de macrodrenagem complementar

Para resolver o aumento dos alagamentos, foi instalado um complexo sistema de macrodrenagem, incluindo galerias pluviais de 8 km com grandes diâmetros e extravasores capazes de escoar até 12 mil litros por segundo, garantido melhor escoamento das águas pluviais frente às mudanças no relevo da praia.

Monitoramento e sustentabilidade

Sensores geotécnicos distribuídos ao longo do muro medem pressão hidrostática e movimentação dos sedimentos em tempo real, permitindo ajustes rápidos na estrutura. Institutos especializados em oceanografia também avaliam os possíveis impactos ambientais, assegurando que a obra preserve os ecossistemas marinhos. O paisagismo contempla espécies nativas para recuperação da restinga.

Impacto econômico e turístico

Balneário Camboriú se consolida como um dos destinos turísticos mais valorizados do Brasil, tendo o metro quadrado mais caro no país. A obra fortalece a segurança da praia em meio a esse cenário, garantindo a preservação da orla e atraindo visitantes, além de ancorar a cidade como ponto de embarque de cruzeiros internacionais.

Engajamento local e ambiental

O projeto contou com licenças ambientais rigorosas e autorização da Secretaria do Patrimônio da União, demonstrando um compromisso com o equilíbrio entre desenvolvimento urbano e respeito ambiental. Os investimentos reforçam o cuidado com o patrimônio público e a cobrança por transparência em processos de engenharia costeira.

Perspectivas futuras

O muro subterrâneo e as medidas de reurbanização fazem parte de um plano maior que visa consolidar Balneário Camboriú entre as cinco maiores orlas lineares do Brasil, com 600 mil metros quadrados de área útil. O investimento total está estimado em cerca de R$ 250 milhões até 2030, prometendo uma orla mais extensa, moderna e protegida contra os efeitos das mudanças climáticas e erosão.

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