Concurso para professores. Foto: Divulgação
O Ministério da Educação publicou no fim de dezembro uma portaria que muda, de forma prática, o cenário das universidades federais em todo o país. A Portaria nº 926/2025 autoriza a redistribuição de cargos docentes do MEC para as Instituições Federais de Ensino Superior e libera a contratação imediata de novos professores.
A medida atende a uma demanda antiga das universidades e destrava concursos públicos que estavam represados há anos.
O texto oficial, divulgado na segunda-feira, 29 de dezembro, prevê o envio de 1.453 cargos do ministério para as universidades federais. Desse total, 1.314 cargos pertencem ao magistério superior, enquanto outros 139 fazem parte da carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico. Ao mesmo tempo, a norma também determina o remanejamento de 51 cargos EBTT das universidades para o MEC, como parte de um processo de reorganização administrativa.
A redistribuição alcança instituições federais de todas as regiões do Brasil. O objetivo central da medida é equilibrar o quadro de docentes, garantir melhores condições de funcionamento para cursos já existentes e permitir a criação de novas vagas para estudantes. Na prática, a portaria possibilita que universidades lancem editais de concursos públicos com mais rapidez, sem depender de longas autorizações adicionais.
Segundo o MEC, parte dos cargos redistribuídos vem de quadros antigos que passaram por ajustes internos ao longo dos últimos anos. Outra parcela corresponde a vagas criadas pela atual gestão federal, dentro de uma política de recomposição da estrutura das universidades.
O ministério destaca que o sistema federal de ensino sofreu perdas significativas desde 2017, período marcado pela redução de concursos e pelo aumento da sobrecarga de trabalho para professores ativos.
Desde 2023, o governo federal criou 9.506 novas vagas para professores e técnicos-administrativos nas universidades federais. Esse movimento representa a maior ampliação de pessoal em mais de uma década. A última iniciativa de grande porte havia ocorrido em 2014. Com a retomada das contratações, as instituições passaram a planejar a abertura de novos cursos, a ampliação de turmas e o fortalecimento das atividades de pesquisa e extensão.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirma que a redistribuição de cargos faz parte de uma estratégia mais ampla para recuperar e fortalecer o ensino superior público. Ele destaca que o governo investe na melhoria da infraestrutura das universidades, na construção de novos campi e na ampliação de cargos de gestão, além da contratação de professores e técnicos. Para o ministro, a medida responde a uma reivindicação histórica de reitores e reafirma o compromisso do governo com a educação pública e gratuita.
Na avaliação da Secretaria de Educação Superior, a portaria ajuda a corrigir desigualdades entre instituições. Algumas universidades enfrentavam escassez de docentes em áreas estratégicas, enquanto outras tinham dificuldades para repor aposentadorias. Com a redistribuição, o MEC busca alinhar melhor a oferta de professores às necessidades reais de cada instituição.
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