Para ela, a estratégia de marketing é uma forma de aliciamento e classifica como "uma modalidade diferente e mais moderna do tráfico".
Mãe trava luta contra publicidade de bets após morte de filho e chama influencers de traficantes Foto: Reprodução / Agência Pública de Jornalismo Investigativo
Este texto aborda temas sensíveis relacionados à saúde mental e ao luto. Se você ou alguém que você conhece estiver passando por momentos de sofrimento emocional, saiba que existe ajuda disponível.
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Em entrevista à Agência Pública de Jornalismo Investigativo, a professora Vânia de Souza Borges, de 54 anos, classificou influenciadores que promovem apostas online como uma nova modalidade de traficantes.
A declaração ocorre após a perda de seu filho, Rafael, que tirou a própria vida em março de 2024, em um caso que a mãe relaciona diretamente ao vício causado pelas chamadas "bets".
Para Vânia, a estratégia de marketing utilizada nas redes sociais é uma forma de aliciamento. Ela afirma que, ao simularem ganhos rápidos e exibirem estilos de vida luxuosos, esses influenciadores induzem os usuários ao erro.
"Eles são traficantes, sim. Talvez uma modalidade diferente e mais moderna do tráfico", pontuou a professora, sustentando que essa publicidade opera de maneira enganosa para atrair seguidores para plataformas de jogos de azar.
O depoimento da moradora de Uberlândia (MG) fez parte dos documentos enviados ao Congresso Nacional durante a CPI das Bets de 2024.
A docente buscou o Ministério Público e a Polícia Civil, tentando responsabilizar os responsáveis pelas plataformas e os influenciadores pela situação financeira e psicológica que levou seu filho ao desfecho fatal. Contudo, os processos foram arquivados por falta de provas que ligassem, juridicamente, as propagandas à decisão do jovem.
O caso ilustra o atual impasse do sistema judiciário brasileiro frente ao crescimento desenfreado das apostas. Enquanto a Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que o setor movimentou R$ 360 bilhões no último ano, as autoridades ainda discutem como aplicar a lei em um ambiente onde o marketing digital costuma contornar as regras tradicionais.
Para Vânia, o termo "jogo responsável", usado pelas empresas, é insuficiente para conter a gravidade do vício, exigindo, em sua visão, uma legislação mais rígida capaz de frear o impacto dessas plataformas na vida das famílias brasileiras.
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