A previsão inicial era que a criança nascesse apenas em fevereiro, quando Joyce completaria sete meses de gestação. No entanto, uma complicação respiratória fez com que os médicos decidissem antecipar o parto. De acordo com o obstetra Pedro Luiz Silva, um dos responsáveis pelo caso, o estado do bebê é classificado como "extremo prematuro", e ele deve permanecer na UTI por várias semanas ou, possivelmente, meses
Relembre o caso
Joyce Sousa Araújo, de 21 anos, foi diagnosticada com morte cerebral em 1º de janeiro, mas permanece conectada a aparelhos na Santa Casa de Rondonópolis (MT) para garantir a sobrevivência de seu bebê, que está com seis meses de gestação. A situação trágica e delicada mobiliza a família e a comunidade local.
Mãe de duas meninas, de três e sete anos, Joyce e o marido, João Matheus Silva, de 23 anos, haviam se mudado para o Mato Grosso em 2023. No dia 20 de dezembro, Joyce foi internada após uma dor de cabeça intensa, que os médicos descobriram ser causada pelo rompimento de um aneurisma cerebral. O incidente desencadeou um acidente vascular cerebral (AVC).
Mesmo após uma cirurgia para tentar conter a hemorragia, o aneurisma voltou a progredir, aumentando a pressão dentro do crânio. Apesar das intervenções, a morte cerebral foi constatada dias depois.
Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, de Brasília, a decisão de manter Joyce conectada aos aparelhos foi uma exceção feita para salvar o bebê. “A Joyce, tecnicamente, já faleceu. Como ela está no final da gestação, isso é feito na intenção de salvar o bebê, é uma excepcionalidade. No geral, quando fecha o diagnóstico de morte cerebral, é decretado o óbito e desligamos os aparelhos”, explica o médico.
O marido, João Matheus, relata que Joyce vinha apresentando dores de cabeça leves desde o início da gravidez, mas não havia qualquer indicação do aneurisma. “Antes, não havia nada, mas assim que ela engravidou, passou a sentir algumas dores de cabeça, mas eram leves, não tínhamos como suspeitar”, comenta.
A previsão é que o parto seja realizado até o final de janeiro. Após o nascimento do bebê, a família pretende levar o corpo de Joyce de volta para sua cidade natal, Estreito, na fronteira entre o Maranhão e Tocantins. Para isso, estão pedindo ajuda por meio de doações.
“A verdade é que eu ainda não consigo acreditar no que está acontecendo. O mais difícil é saber que nossos filhos vão crescer sem mãe”, desabafa João Matheus, emocionado.