"Maconha não mata, o que mata é não pagar": embalagem viraliza por aviso do Tribunal do Crime Foto: Reprodução
Uma nova e audaciosa estratégia de intimidação tem sido adotada por grupos criminosos na Região Metropolitana de Fortaleza. Traficantes passaram a utilizar imagens de personagens da cultura pop, que vão desde ícones de filmes de terror até figuras clássicas da televisão, para marcar suas embalagens de entorpecentes, acompanhadas de bilhetes com ameaças diretas aos compradores que atrasam pagamentos.
Em Caucaia, um pacote de maconha foi apreendido contendo uma imagem de Jason Voorhees, o famoso assassino da franquia Sexta-Feira 13. Abaixo da figura, um aviso intimidador deixava claro o recado do "Tribunal do Crime": "Lembre-se: maconha não mata, o que mata é não pagar o traficante".
Para as autoridades, o uso desses ícones, somado aos textos ameaçadores, não é uma mera "marca" dos fornecedores, mas uma ferramenta deliberada de controle social e terror psicológico.
A estratégia de transformar o crime em um "produto" com assinatura reforça a tentativa de normalização e ostentação das organizações criminosas.
A Polícia Civil segue investigando a origem dessas remessas e trabalha para identificar os responsáveis pela distribuição dos entorpecentes, bem como a extensão da rede que utiliza esse método de cobrança violenta. Até o momento, as investigações apontam que a prática visa não apenas cobrar valores, mas reafirmar o domínio territorial e a impunidade perante a sociedade.
O saudoso sambista Arlindo Cruz, um dos maiores nomes da música popular brasileira, viralizou após aparecer estampada em embalagens de maconha. Na publicação feita no X, antigo Twitter, a página Maconhas do Rio Oficial classificou o gesto como uma "homenagem" ao artista.
"Olha essa obra de arte que linda em homenagem ao ARLINDO CRUZ, Parabéns aos Envolvidos da Mangueira"
O produto, que utiliza o verso "A pureza da flor", um dos sucessos mais icônicos do artista, como slogan de marketing, se espalhou rapidamente em grupos de mensagens e plataformas digitais.
Familiares ainda não se pronunciaram oficialmente, mas o uso indevido da imagem para a comercialização de substâncias ilícitas no Brasil pode acarretar medidas judiciais por danos morais e violação de direitos de personalidade.
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